terça-feira, 12 de setembro de 2017

Oito boas séries indicadas ao Emmy 2017 para ver


Todos os anos, a lista de indicados ao Emmy gera algum tipo de controvérsia e isso não foi diferente em 2017. Para a cerimônia do próximo domingo, a ausência mais sentida foi a de "Game of Thrones", cuja sétima temporada estreou fora do período em que as produções podem ser inscritas. Além disso, a série "Bates Motel" já pode ser apontada como a grande injustiçada do ano, já que não recebeu nenhuma indicação pela quinta e última temporada. Alguns também reclamam da ausência de "The Leftovers", também pela última temporada, mas confesso que essa eu não consegui assistir.
Ainda há, é claro, as séries supervalorizadas, que receberam indicações e são festejadas demais, como "This is Us" e "Big Little Lies". Mas, também estão presentes, na lista de indicados, as boas séries do último ano, que formam uma lista bastante interessante e variada. Vamos ver oito delas:

1) THE HANDMAID´S TALE

Baseada no romance de Margaret Atwood, "The Handmaid´s Tale" se passa em um futuro não tão distante, quando a fertilidade do mundo cai assustadoramente. Diante disso, um regime totalitário assume o controle da população e acaba com a liberdade de diversos grupos. Mulheres que ainda conseguem gerar filhos são retiradas à força de suas vidas e passam a servir os comandantes daquele regime. Uma delas é June (Elisabeth Moss), que assume a identidade de Offred e passa a ser usada pelo comandante para procriação. Aos poucos, ela descobre que pode haver um caminho para a resistência. Bastante elogiada, a série do serviço de streaming Hulu também é apontada como uma forte concorrente da categoria "Drama" do Emmy.

2) WESTWORLD

Outra favorita, "Westworld" é, sem dúvida, uma das grandes séries dos últimos tempos, com enredo e produções caprichados. Inspirada em um filme homônimo de 1973, a série gira em torno da criação de um parque temático, habitado por inteligências artificiais, para onde as pessoas vão para realizar desejos e viverem experiências únicas. O que parecia perfeito acabou virando do avesso quando algumas dessas máquinas se rebelam contra os humanos que as controlam. A série, aliás, é cheia de reviravoltas e impressiona pelo roteiro inspirado. "Westworld", aliás, já venceu algumas categorias técnicas do Emmy, entregues antes da premiação principal.

3) THE CROWN

A realeza britânica é o foco central de "The Crown", série que mostra a origem do reinado da rainha Elizabeth II. A produção mostra, na primeira temporada, a chegada da jovem rainha ao poder, após a morte do pai dela, e a relação entre Elizabeth e o primeiro-ministro do país, Winston Churchill, brilhantemente interpretado por John Lithgow. Aliás, o episódio que foca na figura do primeiro-ministro é um dos mais interessantes e bem escritos da série, que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Série Dramática e já tem assegurada uma segunda temporada para este ano.

4) FEUD: BETTE AND JOAN

Criada como uma antologia sobre conflitos famosos, "Feud" trouxe, na primeira temporada, uma trama baseada nas histórias brigas entre as atrizes Bette Davis e Joan Crawford, duas estrelas de Hollywood que estabeleceram um verdadeira guerra nos bastidores do filme "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?". Com trabalhos excepcionais das atrizes Susan Sarandon e Jessica Lange, a série ainda fala de um lado implacável do show business, que alça estrelas ao sucesso e, na mesma velocidade, as substitui para direcionar os holofotes a estrelas mais jovens.

5) THE NIGHT OF

Bastante elogiada pela crítica, "The Night Of" é mais das ótimas produções que a HBO lançou nos últimos anos. Instigante e angustiante, a série mostra o jovem Naz, de origem paquistanesa, que sai para uma festa levando o carro do pai escondido. Durante a noite, ele conhece e se envolve com uma jovem passageira. Horas depois, ela aparece morta e, assustado, Naz foge do local do crime. Mesmo negando ter matado a vítima, a polícia observa mal-entendidos e evidências de que o jovem é um assassino. Apesar de ser considerada uma minissérie, a possibilidade de uma segunda temporada já foi ventilada por aí.

6) FARGO

É bem verdade que a terceira temporada de "Fargo" esteve bem aquém das anteriores, mas, ainda assim, ela conseguiu estar acima da média de muitas séries por aí. Criada para ter uma história diferente a cada temporada, a produção seguiu a linha definida nos anos anteriores e mostrou mais um enredo para crimes nada perfeitos e erros que desencadeiam grandes problemas. Além de apostar na relação conflituosa entre os irmãos gêmeos Stussy, vividos por Ewan McGregor, a série também mostrou a investigação de uma policial que aposta em uma teoria inusitada, mas muito realista, sobre crimes cometidos em uma cidade de Minessota.

7) HOUSE OF CARDS

Focando em autopreservação política e ascensão ao poder, o quinto ano de "House of Cards" trouxe um Frank Underwood menos sutil e mais agressivo em alcançar seus objetivos. Usando o terror para se manter no Salão Oval, o presidente acaba tendo que lidar com "fantasmas" do passado, que paralisam o país e transformam Washington em um caos. Os problemas do presidente fazem com que Claire, que até então atuava em segundo plano, assuma o posto mais alto da Casa Branca e mostre sua força diante da nação norte-americana.

8) STRANGER THINGS

Considerada um dos fenômenos do último ano, "Stranger Things" também chega ao Emmy como uma das favoritas,levando em consideração os prêmios já recebidos nas categorias técnicas. A história de um grupo de crianças que lidam com acontecimentos inacreditáveis, que envolvem a existência de uma outra dimensão e de uma criatura assustadora. Divertida, a série, ambientada nos anos 80, chamou atenção pela trilha sonora e todas as referências da época. Além disso, a produção chega à segunda temporada com boas possibilidades de repetir o mesmo sucesso do primeiro ano.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ausência de protagonista marcante enfraquece terceira temporada de Narcos


Desde que foi anunciada, a terceira temporada de "Narcos" sempre deixou dúvidas sobre o desenvolvimento da série sem a figura de Pablo Escobar (Wagner Moura), personagem central dos dois primeiros anos da série. Depois de assistir aos novos episódios, disponíveis no serviço de streaming Netflix, pude perceber que, em relação a qualidade, pouca coisa mudou. Há, no entanto, um elemento que a série ficou devendo: a presença de um bom protagonista.
A história do terceiro ano de "Narcos" é retomada após a morte de Escobar, quando o Cartel de Cali assume o controle das operações do tráfico de drogas na Colômbia, que, por consequência, fornece cocaína para o mundo todo. Com o mercado sendo controlado pelos quatro Cavalheiros de Cali, como são conhecidos os chefões do tráfico, a polícia norte-americana se vê diante de uma nova operação.
Ainda sentindo os reflexos das escolhas feitas na captura de Escobar, o agente Peña (Pedro Pascal) não mede esforços para colocar o Cartel de Cali na cadeia, mas volta a esbarrar em questões políticas e burocráticas. Lidando com o corrupção das autoridades colombianas, compradas pelos chefes do tráfico, a polícia norte-americana busca formas de encurralar os bandidos e mantê-los atrás das grades.
Chefiando a operação, Peña conta, agora, com a ajuda dos agentes Feistl (Michael Stahl-David) e Van Ness (Matt Whelan), que tentam prender os membros do cartel, mesmo com o andamento das negociações com o governo para que os Cavalheiros de Cali se entreguem às autoridades. Essa negociação, aliás, causa divergências entre os chefes do tráfico, especialmente entre Gilberto (Damián Alcázar) e Miguel Rodriguez (Francisco Denis).
A operação dos policiais norte-americanos passa a contar, ainda, com as informações de Jorge Salcedo (Matias Varela), o chefe da segurança de Miguel Rodriguez, que se alia às autoridades para livrar a si mesmo e a família dos perigos que rondam a relação com o Cartel de Cali.
É preciso ser justo e dizer que a terceira temporada de "Narcos" consegue manter qualidades importantes vistas nos outros anos da série, como dar ideia da dimensão sobre a influência do narcotráfico no período e mostrar como as políticas norte-americana e colombiana lidam com esse poder paralelo. Nesse aspecto, o roteiro se mostra eficiente, mesclando a ficção com acontecimentos reais da época e criando sequências e movimentos bastante coerentes.
Mesmo com tais qualidades, "Narcos" carregou um problema, nesta terceira temporada, que impediu que a série deslanchasse ainda mais. Ficou faltando uma figura central, um protagonista que servisse de fio condutor para todos os acontecimentos. Sejam os agentes norte-americanos ou os chefes do tráfico, nenhum dos novos personagens foi construído com a mesma complexidade ou importância de Escobar. Nem mesmo Peña ganhou destaque nos novos episódios, ficando "apagado" ao longo da temporada.
É compreensível que o roteiro tenha assumido a intenção de contar uma história sobre o narcotráfico, ao invés de focar em uma única figura, mas isso não justifica o mau aproveitamento de personagens interessantes, que poderiam ser melhor explorados. Peña e os membros do Cartel de Cali nunca "acontecem" na série e isso se deve a uma abordagem superficial e pulverizada dos personagens.
A terceira temporada de "Narcos" esteve longe de ser ruim e isso se deve ao fato de o roteiro ter mantido interessantes as discussões políticas e burocráticas que cercaram o combate às drogas no período. O desenvolvimento dos personagens, no entanto, que resultou na ausência de um protagonista interessante, enfraqueceu a narrativa e me fez desejar que esse problema seja sanado na quarta temporada, que vai deixar a Colômbia e falar do tráfico no México. Quem sabe lá surja uma nova figura que desperte a mesma atenção que Escobar já teve.

NARCOS (terceira temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★★ (boa)


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

100 anos de Chacrinha - O gênio da comunicação que não caberia mais na TV de hoje

Divulgação/TV Globo
Ele nasceu Abelardo Barbosa, mas revolucionou a comunicação de massa brasileira como Chacrinha. Um palhaço irreverente, um animador incomum, um Velho Guerreiro. Com uma cartola, uma buzina e uma peça de bacalhau, ele quebrou paradigmas, desconstruiu regras e formatos e, como poucas vezes se viu, falou e retratou o Brasil.
Dos grandes apresentadores brasileiros, onze em cada dez deles citam Chacrinha como referência. Nenhum, no entanto, conseguiu ser tão anárquico ou tão inspirado. Nem mesmo a naturalidade do Velho Guerreiro conseguiu ser atingida, apesar de algumas tentativas para isso. Em frente a uma câmera por horas, comandou um picadeiro caótico que mostrou a música, os tipos, a irreverência e a alegria de um povo que quase nunca se vê retratado na televisão.
Neste mês de setembro, Chacrinha faria 100 anos de idade, se estivesse vivo. Por conta disso, a TV Globo exibiu, nesta quarta-feira (6), uma homenagem ao apresentador, recriando o formato que o consagrou. Apesar de alguns momentos engraçados, o especial, que já foi ao ar no canal Viva, só reforçou que a televisão atual não daria espaço para um artista como ele.
Mesmo tentando repetir a atmosfera criada por Chacrinha, o programa se mostrou uma versão politicamente correta do original, que "fabrica" descontração e irreverência, características tão naturais ao Velho Guerreiro.
Por conta disso, decidi elencar cinco características que fizeram de Chacrinha esse revolucionário da comunicação e que só reforçam que a televisão de hoje não mereceria alguém como o Velho Guerreiro.

Divulgação/TV Globo
1) ESTÉTICA

De uma forma geral, os programas de televisão sempre buscaram uma "perfeição" estética, tanto em relação ao cenário como aos enquadramentos das imagens. Esse padrão foi rompido por Abelardo Barbosa, que transformou o palco em um picadeiro que misturava adereços, cores, bailarinas e assistentes. Com uma plateia nada comportada, Chacrinha se movimentada pelo palco sem se preocupar com uma ordem ou marcação para enquadramentos. Isso fazia com que, constantemente, os câmeras e assistentes estivessem em foco, algo impensável ou rapidamente corrigido nos dias de hoje. O Velho Guerreiro se colocava no centro de um verdadeiro caos, mas que fazia todo sentido para ele.

Divulgação/TV Globo
2) ESPAÇO MUSICAL

Os programas musicais já foram considerados os principais produtos da televisão brasileira, especialmente na época das transmissões dos festivais e de atrações históricas, como "O Fino da Bossa" e "Jovem Guarda". Os programas do Chacrinha também podem ser considerados grandes vitrines para a música brasileira. Um espaço no palco de Abelardo Barbosa era muito disputado e representava a certeza de que, no dia seguinte, qualquer música ali lançada estaria em todas as paradas de sucesso, conforme relatos de grandes artistas no documentário "Alô Alô Terezinha", que conta a trajetória do profissional. Hoje, o espaço musical foi reduzido drasticamente e se limita a poucos programas.

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3) IRREVERÊNCIA

Chacrinha desconstruiu a figura "intocável" do apresentador de televisão, sempre tão alinhado e elegante. O Velho Guerreiro se colocou no centro do palco para divertir o público e se aproximar dele, sem impor distâncias. Dava, frequentemente, as costas para a câmera e sabia se colocar de lado para que as atrações brilhassem, algo raro nos egos de hoje. Sabia provocar, quando necessário, e valorizada o povo brasileiro, acima de tudo, fazendo seus programas para essas pessoas.

Divulgação
4) POLITICAMENTE INCORRETO

Em tempos tão tediosos em relação ao humor, como vivemos hoje, Chacrinha, com certeza, seria crucificado pelo tipo de humor que fazia em seus programas. Abelardo Barbosa não poupava calouros, jurados e convidados de gozações e piadas que seriam impensáveis na TV atual. Adepto de clássicas marchinhas de carnaval, como "Cabeleira do Zezé" e "Maria Sapatão", seria acusado, se ainda estivesse em cena, de homofóbico e desrespeitoso, algo que, claramente, não era seu objetivo. E, já pensaram se alguém jogassem legumes ou bacalhau na plateia hoje? Com certeza, apareceria algum grupo repudiando esse tipo de atitude. Não somos mais dignos do humor do Chacrinha.

Divulgação/TV Globo
5) POPULARIDADE

Cabem nos dedos de uma mão os apresentadores que conseguem se conectar diretamente com o público e que valorizam o conceito de "popular". Esses poucos, no entanto, não chegam aos pés de Chacrinha, que não tinha vergonha de criar entretenimento para os espectadores. Sem uma linguagem rebuscada ou vergonha de falar com as massas, ele revolucionou a forma de se colocar em frente às câmeras. Foi um animador, o maior de todos. Divertia o público e, claramente, se orgulhava disso.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

"Game of Thrones" consolida mudança de narrativa e acelera rumo ao fim


Acho que em nenhuma outra temporada "Game of Thrones" fez tanto barulho como no sétimo ano, que terminou neste domingo (26). Também pudera, já que, depois de tanta expectativa, finalmente, a série se encaminha para o fim e, por isso, tem a trama centrada nos núcleos fundamentais da história. Em cada um dos episódios, são inúmeros os acontecimentos marcantes e decisivos para encerrar a luta pelo Trono de Ferro de Westeros. Para focar no desfecho, a produção precisou mudar de ritmo, sendo essa a grande marca da temporada que se encerrou.
Depois de cinco temporadas como uma série complexa e estratégica, "Game of Thrones" começou a dar sinais de mudança no sexto ano, marcado pelos movimentos importantes de personagens que, até então, giravam em torno dos próprios núcleos. Agora, na sétima temporada, vemos que essa transição de narrativa ficou completa com a apresentação de um novo ritmo para a história. Não há mais tempo a perder. Tramas secundárias, antes bastante exploradas, agora se fundiram aos núcleos centrais e apenas orbitam em torno deles, para, com certeza, terem um desfecho nos episódios finais.
Antes contada em um ritmo mais lento, apesar de estrategicamente intenso nos momentos certos, "Game of Thrones" mostrou, agora, que deixou as sutilezas de lado. Não há mais tempo para longas viagens entre Winterfell e King´s Landing, o sul e o norte de Westeros estão separadas apenas por uma cena. Também não há mais elaboração de alianças ou pacientes planos de guerra. A série passou a ser "ação e reação", um ataque rende outro, encontros acontecem muito rápido, mensagens em corvos são entregues na velocidade da luz.
Esse ritmo novo provoca, inclusive, efeitos no texto, que perdeu sutileza e elaboração de trama. No atual momento, diálogos são mais explícitos e alguns desfechos se tornaram muito óbvios, ainda que cercados por outras boas surpresas.
Essa mudança de narrativa foi sentida pelos espectadores, o que provocou, inclusive, algumas reclamações sobre a forma como os acontecimentos são mostrados agora. Essas críticas fazem algum sentido? Fazem todo sentido! Uma série que se rende a essas características deixa os defeitos mais evidentes, simplifica demais aquilo poderia ser mais sofisticado. Isso prejudica a série para o que ainda está por vir? Tenho quase certeza que não!
"Game of Thrones" já tem os espectadores "no bolso", já sabe o que fazer para cativar o público e alimentar o potencial para se tornar uma das séries mais populares de todos os tempos. Como poucos, os roteiristas conseguiram criar um desfecho que, mesmo não sendo tão elaborado quanto antes, consegue mobilizar os fãs até mais do que nas outras temporadas. Explorando elementos dramatúrgicos clássicos, a série criou cenas e desfechos impactantes em cada um dos sete episódios da sétima temporada.
E, que temporada! Jon Snow (Kit Harington) e Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) se uniram na luta contra o Rei da Noite e para tomar a coroa de Cersei (Lena Headey); Arya (Maisie Williams), Sansa (Sophie Turner) e Bran (Isaac Hempstead Wright) voltaram para Winterfell; um dos dragões de Daenerys foi morto e, em seguida, recrutado para o exército de mortos que marcha para a Grande Guerra; e a origem de Jon Snow finalmente foi esclarecida.
Realmente, "Game of Thrones" mudou muito. Está sendo contada de uma forma diferente, mais acelerada e menos sutil, já que caminha para os últimos seis episódios. Isso poderia ter sido um desastre, mas não foi. Mesmo assim, a série ainda está acima da média e é um entretenimento muito prazeroso, pelo qual dá gosto esperar pelo próximo episódio. Pena que, agora, essa espera será longa... tão longa quanto a expectativa pela chegada do inverno. A certeza, no entanto, consola: o inverno chega e, quando isso acontecer, será em uma intensidade absurda!

GAME OF THRONES (sétima temporada)

ONDE: HBO

COTAÇÃO: ★★★★(ótima)

domingo, 20 de agosto de 2017

Roteiro pouco criativo não frustra bom encontro de personagens em "Os Defensores"


Em plena moda dos crossovers, a reunião das quatro principais séries da Marvel era um evento, além de inevitável, muito aguardado. Em meio à banalização do recurso na televisão, a tarefa não era das mais fáceis, uma vez que "Demolidor", "Jessica Jones", "Luke Cage" e "Punho de Ferro" possuem ritmos e estéticas diferentes, mesmo "conversando" dentro de um mesmo universo. Com a primeira temporada de "Os Defensores" já superada, é possível dizer que o resultado foi satisfatório, mesmo que com uma ressalva importante.
Em oito episódios, "Os Defensores" retoma a história dos "vigilantes" de Nova York a partir dos acontecimentos vistos em "Punho de Ferro", a série individual menos interessante de todas. Caçando os membros d´O Tentáculo pelo mundo, Danny Rand (Finn Jones) descobre que as respostas que ele procura sobre a organização nunca deixaram a Big Apple. Em paralelo a isso, o protetor do Harlem, Luke Cage (Mike Colter), sai da prisão e volta para o dia a dia do bairro. Rapidamente, no entanto, ele é chamado para ajudar um garoto, que parece estar envolvido com uma onda de crimes na região.
Na região de Hell´s Kitchen, o aposentado Demolidor agora atua, apenas, como o advogado Matt Murdock (Charlie Cox). Para tentar preservar a vida dos amigos e a própria, ele tenta se dedicar a salvar as pessoas pelo caminho da lei. A detetive particular Jessica Jones (Krysten Ritter) é outra que tenta levar a vida dentro da "normalidade", bebendo e evitando se envolver emocionalmente com outras pessoas. Esses planos, no entanto, são frustrados com a chegada de um novo caso a ser resolvido.
As trajetórias individuais dos personagens acabam levando à reunião do grupo, que converge seus interesses ao descobrir que O Tentáculo está envolvido em um plano que pode destruir Nova York. Liderada por Alexandra (Sigourney Weaver), o organização precisa capturar o Punho de Ferro para se manter imortal e continuar, por mais séculos, a ter poder e onipresença. Para isso, a líder aposta na ação da Céu Negro, a nova identidade de Elektra (Elodie Yung), resgatada da morte para ajudar na busca pela vida eterna.
A principal qualidade de "Os Defensores" também vem da tarefa mais difícil, que era a condução da trama para a convergência pretendida. Com cuidado e coerência, os três primeiros episódios são dedicados ao encontro dos personagens, que, a meu ver, é feito de uma forma inteligente e bastante plausível. Para isso, são utilizados elementos presentes em todas as histórias individuais, que se costuram através de ganchos coerentes.
Apesar de criticado nas primeiras críticas sobre a série, que alegam "demora" para a história engrenar, considero esse período fundamental para a construção do universo compartilhado. Essa "espera" para a reunião do grupo, inclusive, resulta em um efeito estético interessante para a produção. A convergência cuidadosa ajuda a criar uma transição visual e uma identidade própria para "Os Defensores", que respeita as diferenças individuais em relação a fotografia e outros recursos de cada uma das tramas solos dos personagens.
Apesar de ter uma trama mais ligada aos acontecimentos vistos em "Demolidor" e "Punho de Ferro", o roteiro do crossover consegue introduzir bem os universos de "Jessica Jones" e "Luke Cage" no contexto geral. Isso também é feito com os coadjuvantes e com os demais membros d´O Tentáculo, vistos nas outras produções e inseridos com coerência.
Mesmo que traga essas qualidades, é necessário fazer uma ressalva importante a "Os Defensores". Todo o cuidado com a construção de uma trama uniforme não se refletiu nas soluções do roteiro, que se resolve a partir de escolhas previsíveis e, em alguns momentos, frágeis. Isso, no entanto, acaba não comprometendo no resultado final, que, é verdade, poderia ser mais criativo, mas que ainda funciona como bom entretenimento.
"Os Defensores" é um bom crossover e até funciona melhor do que a maioria das reuniões do gênero, vistas, atualmente, de forma exagerada no universo das séries. Para ter sido ótima, ficou faltando criatividade. Mas, a produção prende a atenção e se torna uma boa opção para "maratonar".

OS DEFENSORES (primeira temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★★ (boa)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Euron Grevjoy e outros cinco personagens cruéis de "Game of Thrones"

O sétimo ano de "Game of Thrones" mal começou e já é possível dizer que Euron Grevjoy (Johan Philip Asbaek) sai na frente pelo título de "Personagem Cruel da Temporada". No episódio que foi ao ar neste domingo (23), com a intenção de buscar um "presente" para firmar uma aliança com Cersei (Lena Headey), Euron ataca os navios dos sobrinhos e promove um verdadeiro massacre, desfalcando o exército de apoiadores de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) e fazendo um movimento certeiro na disputa pelo Trono de Ferro de Westeros.
Euron Grevjoy, no entanto, não é o primeiro personagem cruel e insano que aparece nos Sete Reinos. Resgatando características de outros, ele tem tudo para figurar em uma lista com os piores da série, ranking este que ainda não pode ser definitivo, já que ainda há muito o que acontecer em "Game of Thrones". Vamos relembrar, então, outros cinco personagens que já têm um lugar de honra entre os mais cruéis:

1) Joffrey Baratheon

Durante muito tempo, o rei Joffrey Baratheon (Jack Gleeson) sustentou o posto de mais sádico e cruel de King´s Landing. Foram tantas as atrocidades cometidas pelo personagem, que fica até difícil citá-las. Sustentando o poder que o Trono de Ferro lhe deu, o garoto usava a violência quase que como um "instrumento de diversão". A tirania dele, no entanto, era usada como escudo para uma covardia, revelada quando ele precisava enfrentar cara a cara seus inimigos. Humilhações ao tio, Tyrion (Peter Dinklage), e a Sansa (Sophie Turner) também figuram na lista de ações do jovem rei, que teve uma morte agonizante.

2) Ramsay Bolton

Quando todos pensavam que o sadismo de Joffrey seria insuperável, eis que surge o maluco Ramsay Bolton (Iwan Rheon), um psicopata que se divertia com os assassinatos que cometia. Cada um de seus crimes carregava um requinte diferente de crueldade. Entre as piores maldades dele, estava a tortura feita, durante muito tempo, em Theon Grevjoy (Alfie Allen). Ele acabou se casando com Sansa e, em uma das cenas mais polêmicas e repugnantes da série, estuprou a filha de Ned Stark (Sean Bean). Para ele, o castigo se deu sob o olhar da esposa, enquanto era devorado por cães após perder a Batalha dos Bastardos.

3) Alto Pardal

Em nome do que classificava ser fé, o Alto Pardal (Jonathan Pryce) foi o grande pesadelo de muitos em King´s Landing, inclusive da realeza. Mostrando influência e uma força tão grande quanto o peso do Trono para os Sete Reinos, ele usava sua superioridade moral para condenar aqueles que não "andavam na linha". A rainha Margaery (Natalie Dormer) e o irmão dela, Sir Loras (Finn Jones), foram algumas das vítimas da fé do Alto Pardal, que, durante um tempo, era estimulado por Cersei. Mas, o feitiço se virou contra ela, que acabou julgada e humilhada em público por ele. O resultado disso: acabou queimado junto com outros inimigos da rainha Lannister.

4) Walder Frey

Ao decidir trair os Stark, Walder Frey (David Bradley) se uniu aos Lannister e participou de uma das sequências mais cruéis de "Game of Thrones". Depois de não ter a filha casada com Robb Stark (Richard Madden), Walder Frey criou uma armadilha e, assim, promoveu um verdadeiro massacre aos "lobos" do Norte. Além de resultar na morte violenta da esposa grávida de Robb, o episódio, conhecido como "Casamento Vermelho", ainda marcou o assassinato de Catelyn Stark (Michelle Fairley). Foi pelas mãos da filha dela, Arya (Maisie Williams), que Walder Frey pagou pelo massacre e morreu da mesma forma que a matriarca dos Stark.

5) Viserys Targaryen

Logo no início da série, Viserys Targaryen (Harry Lloyd) era um dos mais odiados pelo público. Cego pela ambição de conseguir poder, demonstrou não ter remorso para usar a irmã, Daenerys, como "moeda de troca" para conseguir o que queria. Desprezível, apesar de fisicamente frágil, era capaz de absurdas humilhações e agressões, especialmente direcionadas à irmã. Estava tão cego para conseguir uma coroa, que acabou queimado por ouro derretido, derramado pelas mãos do então novo marido de Daenerys, Khal Drogo (Jason Momoa), senhor dos Dothraki.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Cinco momentos da nova temporada que direcionam "Game of Thrones" para o fim


Depois de uma longa e tenebrosa espera, finalmente, a sétima temporada de "Game of Thrones" chegou e, com ela, veio o tão anunciado inverno. Depois de um sexto ano "de movimento", com os personagens deixando posições confortáveis em direção ao conflito pelo Trono de Ferro, o primeiro episódio da nova temporada mostrou que, agora, as "peças do tabuleiro" de Westeros caminham em velocidade ainda maior.
Como a temporada será mais curta, com apenas seis episódios, preferi não fazer uma análise do episódio, evitando, assim, ficar repetitivo após o fim do sétimo ano. Ao invés disso, vou elencar cinco momentos importantes do primeiro episódio, que direcionam os rumos da trama daqui para frente. Vamos a eles:

1) Daenerys chega a Westeros

A sequência é a última, mas, também, a mais importante do primeiro episódio para a trama. Depois de reunir aliados, Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) finalmente chega a Westeros. Ao lado de Tyrion Lannister (Peter Dinklage) e de seu exército, a "Mãe dos Dragões" ocupa Dragonstone, terras da família dela e que já foram ocupadas por Stannis Baratheon (Stephen Dillane). Agora fora dos domínios dos Lannisters, Dragonstone também pode representar uma aproximação entre Daenerys e Jon Snow (Kit Harigton), uma vez que essas terras podem esconder a arma necessária para combater os White Walkers.

2) Arya vinga a família e se aproxima de Cersei

Lá atrás, Arya Stark (Maisie Williams) jurou se vingar de todos os responsáveis pela queda dos Stark. Depois de matar Walder Frey (David Bradley) na temporada passada, a garota usa suas habilidades de disfarce para exterminar o resto dos membros da Casa Frey, que ajudaram a realizar o "Casamento Vermelho", a emboscada que matou boa parte de sua família. Depois da melhor cena da estreia, Arya segue para King´s Landing, para concretizar a tão desejada vingança contra Cersei Lannister (Lena Headey), também responsável pelos piores dias dos Stark.

3) Jon Snow protege o Norte

Depois de ser proclamado o Rei do Norte pelos aliados, Jon Snow aparece, no primeiro episódio, pensando em estratégias para impedir o avanço dos White Walkers. Como podem ser as primeiras vítimas do exército de mortos-vivos, o povo do Norte busca um plano para proteger seus guerreiros e fortalezas. Jon Snow também oficializa o início das buscas pela arma que pode derrotar os White Walkers. O perigo, no entanto, pode estar dentro dos muros de Winterfell, já que Lord "Littlefinger" Baelish (Aidan Gillen) já provou que não é nada leal aos aliados do momento.

4) Cersei busca uma aliança sólida

Depois de se vingar de todos os inimigos mais próximos, Cersei se mostra alerta por iminentes ataques vindos de todos os lados. Para, especialmente, se proteger do numeroso exército de Daenerys Targaryen, a nova Rainha dos Sete Reinos (ou de, pelo menos, três deles rs), agora busca um novo aliado, que lhe confira uma robusta força de batalha. O escolhido é Euron Grevjoy (Pilou Asbaek), que pode contribuir com poderosos navios e homens das Ilhas de Ferro. Uma proposta de casamento recusada por Cersei, no entanto, pode representar um perigo maior para os inimigos da rainha, já que Grevjoy vai tentar provar seu valor.

5) Bran chega à Muralha

Ainda separado dos outros Starks, Bran (Isaac Hempstead Wright) chega à Muralha, depois de seguir por caminhos mais misteriosos que os demais personagens. Ao lado de Meera (Ellie Kendrick) e recebido por membros da Patrulha da Noite que ficaram para proteger o local, o jovem Stark segue carregando segredos que podem alterar os rumos pelo Trono de Ferro de Westeros.