segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Séries boas de ouvir: Scandal


A ideia inicial de um texto sobre as trilhas sonoras, cada vez mais caprichadas das séries, surgiu de uma consulta ao Shazam, aplicativo de smartphone que permite a identificação de músicas. Os momentos em que mais uso o Shazam acontecem quando estou assistindo séries e, em uma olhada rápida no aplicativo, percebi que 90% das canções identificadas tinham a ver com produções televisivas.
À princípio, a intenção era listar cinco séries que têm trilha sonoras ótimas e que conversam com as tramas apresentadas. De cada uma delas, iria separar uma música marcante da produção e destacá-la no texto. Mas, confesso que fracassei nesse objetivo pela simples incapacidade de separar apenas uma música marcante. Diante disso, a ideia mudou e resolvi fazer uma lista (não resisto a elas) com cinco canções importantes de cada uma das séries que tinha separado.
A primeira delas é, e não poderia deixar de ser, "Scandal", série que, em certa medida, também influenciou essa postagem. A trilha sonora da atração de Shonda Rhimes é uma das melhores da televisão, com músicas fortes e muito bem escolhidas para o contexto da trama. Blues, Jazz, Soul e Pop são os ritmos que predominam na história de Olivia Pope (Kerry Washington), que busca solucionar os maiores problemas da capital dos Estados Unidos.
Stevie Wonder e Nina Simone são figuras fáceis na trilha de "Scandal" e ajudam a pontuar momentos importantes da série. Nina Simone, por exemplo, surge cantando "I Shall Be Released" no episódio "The Lawn Chair", da quarta temporada, um dos melhores e mais bem construídos capítulos da saga de Olivia Pope, além de trazer uma fundamental discussão sobre aos negros pela polícia norte-americana.
Abaixo, então, cinco músicas marcantes na trilha sonora de "Scandal":

1) SUNNY - BOBBY HEBB

A quarta temporada de "Scandal" começa com um mar azul impecável, uma ilha paradisíaca ao fundo e a música marcante de Bobby Hebb, perfeita para o momento vivido por Olivia Pope, que fugiu da vida atribulada em Washington e até assumiu um novo nome. "Sunny" mostra o desejo da protagonista de aproveitar um outro estilo de vida. Mas, o sossego dura pouco e ela é logo chamada a voltar ao mundo político da capital.



2) I SHALL BE RELEASED - NINA SIMONE

Não há qualquer exagero na chamada do episódio "The Lawn Chair", da quarta temporada de "Scandal": com certeza, é um dos episódios mais poderosos da série. Bem construída e emocionante, a trama mostra Olivia Pope se envolvendo no caso de um pai que impede que a polícia mova o corpo do filho dele, um jovem negro acusado de um crime. Um conflito a princípio local acaba chegando à Casa Branca e, também, revela o racismo de policiais brancos que cuidaram do caso.



3) DON´T WORRY ´BOUT A THING - STEVIE WONDER

Stevie Wonder é quase o rei da trilha sonora de "Scandal", com diversas músicas marcantes na série. Dentre elas, um destaque é "Don´t Worry ´Bout A Thing", tocada em um momento de dois extremos da série. Também na quarta temporada, Olivia usa a canção para ter um pouco de descontração e mostrar que, acima dos problemas amorosos, ela escolhe a si mesma. Essa alegria dura pouco, pois, ainda com a música de Stevie Wonder ao fundo, a protagonista é sequestrada, vítima de uma conspiração entre terroristas e o vice-presidente norte-americano.



4) NOTHING CAN CHANGE THIS LOVE - SAM COOKE

Logo no primeiro episódio, quando a trama de "Scandal" começou a ser apresentada, lá estava "Nothing Can Change This Love", de Sam Cooke. A música, com certeza, ajudou a construir a identidade da trilha sonora da produção, sempre em sintonia com a trama. A canção ainda reflete bastante sobre o lado sentimental da série, mais especificamente do amor entre Olivia e o presidente Fitzgerald Grant (Tony Goldwyn). Afinal, como a música diz: nada pode mudar esse amor.



5) WHAT´S GOING ON - MARVIN GAYE

Marvin Gaye também é presença constante na trilha sonora de "Scandal". "What´s Going On" não representa necessariamente um momento marcante da série, mas é daquelas canções bem colocadas no contexto da trama e que, de cara, chamam atenção. Bem inserida da atração, a música ajuda a construir a coerência da trilha sonora da série, que ajuda a contar a história da influência de Olivia Pope em Washington.

domingo, 5 de novembro de 2017

"House of Cards" e outras cinco séries que perderam os protagonistas

Os últimos dias foram de turbulência para a produção de "House of Cards", um dos maiores sucessos do serviço de streaming Netflix. Em meio às acusações de assédio envolvendo Kevin Spacey, o protagonista da série, foi anunciado que a sexta e última temporada, que já estaria sendo executada, seria a última da atração. Mais acusações contra Spacey surgiram na imprensa e, exatamente um dia depois da notícia, uma nova decisão foi anunciada: a produção da última temporada de "House of Cards" estava suspensa por tempo indeterminado.
O futuro da série ficou selado alguns dias depois, quando o serviço de streaming anunciou que Spacey não fazia mais parte do elenco e que todos os projetos com o ator, inclusive um filme em pós-produção, tinham sido cancelados. Com a decisão, discute-se, agora, o futuro da atração, que pode ter a morte de Frank Underwood e a centralização das atenções na esposa do personagem, Claire (Robin Wright), como soluções para a continuidade da série.
Mas, "House of Cards" não é a única produção a ter perdido um protagonista e continuar sendo exibida, se isso vier a ser decidido pelos executivos do Netflix. Outras atrações da televisão também já tiveram que lidar com esse problema.

SÉRIES QUE PERDERAM PROTAGONISTAS

1) ONCE UPON A TIME

Enquanto a sexta temporada estava sendo levada ao ar, a atriz Jennifer Morrison anunciou que deixaria o elenco de "Once Upon a Time". Como toda a trama girava em torno da personagem Emma, a salvadora de personagens de contos de fada presos em maldições, começaram as especulações sobre o futuro da série. O anúncio da atriz também provocou uma debandada do elenco regular da série e, após a decisão de continuar com a atração, os executivos revelaram que apenas três personagens seguiriam na história. Com os primeiros episódios da sétima temporada exibidos, já é possível dizer que a continuidade após as saídas não foi nada boa.

2) GREY´S ANATOMY

 No ar há 14 anos, "Grey´s Anatomy" é uma série de idas e vindas, com saídas constantes de personagens importantes e a chegada de outros. A atração, no entanto, enfrentou o maior "baque" de todos com o anúncio da saída de Patrick Dempsey, o protagonista masculino da trama. Querendo se dedicar a novos trabalhos, o ator virou uma vítima da criatividade de Shonda Rhimes, que matou o personagem na 11ª. temporada. Curiosamente, o fim do personagem resultou em um novo fôlego para a produção, que ganhou novas possibilidades para o desenvolvimento de Meredith (Ellen Pompeo).

3) TWO AND A HALF MEN

Uma briga feia com o produtor Chuck Lorre fez com que o ator Charlie Sheen deixasse o elenco da comédia "Two and a Half Men". Executivos e produtores, no entanto, decidiram continuar com a atração e trouxeram Ashton Kutcher para ser o novo protagonista. Depois de um primeiro episódio hilário, que tirava sarro da saída de Sheen e revelava a morte do protagonista, "Two and a Half Men" foi "ladeira abaixo" e, apesar de continuar por algum tempo, perdeu totalmente o sentido e a qualidade.

4) THE OFFICE

Tudo ia bem e a versão norte-americana de "The Office" era aclamada como uma das melhores séries de comédia que estavam no ar. A paz só durou, no entanto, até o anúncio da saída de Steve Carell, que decidiu se dedicar a outros trabalhos. Com o desaparecimento de Michael Scott, protagonista por sete temporadas, os produtores até tentaram outras alternativas, como colocar James Spader como figura central da trama ou dar mais destaque aos coadjuvantes que já existiam, mas as empreitadas nunca funcionaram. Resultado final: "The Office" foi extinta duas temporadas depois.

5) DOWNTON ABBEY

Série que tinha como pano de fundo as mudanças na aristocracia britânica a partir de 1912, "Downton Abbey" contava a história de toda uma família e seus empregados. Apesar de ter vários personagens centrais, a série teve que enfrentar as consequências da saída de Dan Stevens, herdeiro dos aristocratas e figura essencial para as mudanças no estilo de vida da família. Com a decisão do ator de se dedicar a uma carreira nos Estados Unidos, o personagem foi morto na terceira temporada. A série, no entanto, conseguiu driblar o problema e continuou por mais três anos.

domingo, 29 de outubro de 2017

"Stranger Things" volta com segunda temporada grandiosa e divertida


Diversão. Essa é a palavra que define e justifica a existência de "Stranger Things", uma das séries mais populares do catálogo do serviço de streaming Netflix. Despretensiosa desde o início, a trama das crianças que entram em contato com criaturas de um universo misterioso parece ter como proposta fundamental o entretenimento do espectador. E, se a diversão era o objetivo, ele foi atingido com louvor na segunda temporada da produção, lançada na sexta-feira (27).
Após o primeiro contato com o Mundo Invertido e a volta de Will (Noah Schnapp), os novos episódios da série focam na vida dos personagens um ano depois, quando a vida dos moradores de Hawkings começa a voltar ao normal. Pelo menos, era nisso que eles acreditavam. A tranquilidade começa a sumir quando Will passa a sentir e ter visões com o Mundo Invertido, além de mostrar uma conexão com uma criatura misteriosa.
Despertando a preocupação da mãe, Joyce (Winona Ryder), Will é levado para acompanhamento no laboratório da cidade, origem de todos os acontecimentos incomuns na região. Só que os episódios de contato com o Mundo Invertido e a criatura passam a ficar mais constantes, relevando, assim, a ameaça da segunda temporada. 
Paralelo a isso, Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) também entrar em contato com uma criatura, semelhante ao Demagorgon da primeira temporada, que contribui com pistas sobre os novos mistérios que rondam Hawkings. Com a ajuda de Max (Sadie Sink), a garota nova da escola, o grupo procura entender qual o objetivo da nova ameaça, que parece estar se encaminhando para a cidade e matando tudo ao redor.
Os novos episódios também procuram focar na jornada de Eleven (Millie Bobby Brown) em busca de autoconhecimento. Escondida pelo delegado Jim Hooper (David Harbour), a jovem passa os dias presa em uma cabana. Construindo uma relação de afeto e conflito com o delegado, Eleven parte em busca de respostas sobre sua origem, que podem ajudá-la a entender mais sobre a vida e os amigos que ganhou.
Na segunda temporada, "Stranger Things" resgata as características que a tornaram um sucesso, mas, também, evolui em alguns aspectos. O primeiro deles é o roteiro, que, mesmo mantendo as referências clássicas dos anos 80, se "liberta" delas e conduz a trama com mais autonomia. O enredo surge mais grandioso e bem amarrado, o que conduz os acontecimentos para um desfecho satisfatório.
Além do mistério em relação à nova ameaça, o roteiro também acerta na construção de histórias paralelas importantes, como a relação paternal entre Hooper e Eleven e os conflitos envolvendo o triângulo Lucas, Max e Dustin. A adição de novos personagens, aliás, mesmo que para fins óbvios, trouxe um novo vigor para a série. A trajetória pessoal de Eleven, de uma modo geral, também se mostrou um ponto importante para a trama.
Diante dessas qualidades, cabe uma crítica, que, é bem verdade, pouco influencia no resultado final: algumas soluções do roteiro, apesar de inegavelmente eficientes, se mostram muito óbvias como a tentativa de Eleven em arrastar um vagão de trem, quando conhece a "irmã" de laboratório, habilidade que seria testada mais adiante; ou o laço afetivo entre Dustin e Dart, o "mini" Demagorgon encontrado na lata do lixo.
O elenco continua sendo um grande acerto da série, com destaques para Winona Ryder, David Harbour, Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo e Sadie Sink. Coadjuvantes inseridos na segunda temporada, como Bob (Sean Astin), o namorado e Joyce; e Erica (Priah Ferguson), a irmã de Lucas, rendem bons momentos aos episódios.
Mantendo-se, de certa forma, despretensiosa, a segunda temporada de "Stranger Things" acrescenta uma trama mais elaborada e resulta em um ótimo entretenimento, que mistura elementos de terror e aventura, embalados por uma trilha sonora impecável. Para o terceiro ano, só é possível desejar que continue assim: divertida.

STRANGER THINGS (segunda temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★★★ (ótima)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

"Scandal" estreia última temporada mais focada em política e força da protagonista


Desde o início, "Scandal" sempre apresentou tramas que giraram em torno do universo de Olivia Pope (Kerry Washington). Todos os seis anos anteriores parecem ter servido como uma "escala" para o momento atual da série, que começou a anunciada sétima e última temporada com um foco maior ainda nas ações da protagonista, agora a principal força de poder na Casa Branca. Como não poderia deixar de ser, a política ocupou o lugar das conspirações e planos de espionagem e, mesmo sempre estando presente, ganhou importância ainda maior.
Agora como chefe de gabinete de Mellie (Bellamy Young), Olivia está disposta a provar que as diretrizes políticas dela são as que devem prevalecer em Washington. Em outras palavras: quer mostrar que ela dá as cartas. No primeiro episódio da nova temporada, todas as articulações da Casa Branca estão sendo feitas para aprovar, no Capitólio, um projeto que institui faculdade de graça para a população mais pobre do país. Para isso, Olivia não mede esforços para persuadir, inclusive com chantagem, os adversários da proposta. O agora vice-presidente Cyrus Beene (Jeff Perry) também é colocado em campo para agir pela aprovação da medida.
As demonstrações de poder de Olivia também envolvem o pai, Rowan (Joe Morton), que passa a ser vigiado de perto pela filha, e a antiga organização gerida por ele, o B-613. As funções da protagonista como nova Comandante são necessária, no episódio, para a tentativa de resgate de um espião da CIA, capturado em território inimigo. Contrariando os procedimentos anteriores da organização, Olivia insiste com Jake (Scott Foley) em um plano de resgate contestado até pela presidente, o que faz com que a protagonista aja para impor suas decisões.
Com a política sempre servindo de segundo plano para as conspirações e espionagens, "Scandal" demonstra, no primeiro episódio, interesse em falar mais sobre o tema, dando protagonismo a discussões relacionadas a articulações entre as principais lideranças políticas. O comando de duas mulheres nas principais cadeiras da Casa Branca também pode render bons conflitos.
Os roteiristas também chegaram a um ponto interessante da trajetória de Olivia Pope. Depois de passar por momentos que iam de amante do presidente a pretensa primeira-dama, a protagonista fez escolhas radicais e chega, agora, ao ápice tentando impor suas vontades. Olivia parece disposta a mostrar que o universo dela vai curvar a política de Washington, assumindo todos os riscos para isso.
Como já anunciado na imprensa norte-americana, "Scandal" promete acabar no topo e tem todas as condições de fazer isso, se souber explorar bem os conflitos políticos que se apresentam e o protagonismo ainda mais evidente de Olivia Pope.

SCANDAL (sétima e última temporada)

ONDE: ABC (Estados Unidos) e Sony (Brasil; ainda sem data oficial de estreia)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Repetição de fórmula e enredo fraco mostram que "Once Upon a Time" não deveria ter continuado

No mundo das séries, uma pergunta sempre aparece: é melhor terminar por cima, com coerência, ou se prolongar em tramas desnecessárias, com possibilidade de desgaste? Antes do fim da sexta temporada de "Once Upon a Time", com o anúncio da saída da protagonista e de outros personagens importantes, a série passou por esse questionamento e os criadores da atração decidiram prosseguir com um novo arco narrativo. Ainda é cedo para um veredito definitivo, mas, a julgar pelo primeiro episódio do sétimo ano, a resposta para a questão deveria ter sido outra.
Diante da anunciada saída de Jennifer Morrison e da "limpa" feita no elenco, para a renovação da história, o que se viu nos primeiros momentos da nova temporada foi apenas a repetição da fórmula que consagrou a série. Agora, no entanto, há uma diferença: um enredo extremamente frágil, que torna o recomeço ainda mais forçado e menos interessante.
Anos depois de a maldição de Storybrooke ter sido quebrada, Henry Mills, agora vivido por Andrew J. West, vive em Seattle e continuou sua tarefa de escrever os finais felizes dos personagens de contos de fadas. Assim como no início da história original, uma criança batendo à porta do protagonista desencadeia o enredo da temporada. Agora, Lucy (Alison Fernandez) aparece dizendo ser filha de Henry, que não se lembraria do fato por conta de uma nova maldição.
Os personagens infantis, agora, estão presos em um bairro de Seattle e ignoram suas existências anteriores por conta de Lady Tremaine (Gabrielle Anwar), que, no mundo real, se tornou uma poderosa empresária, que adquire imóveis e poder na região. O principal alvo dela é Jacinda (Dania Ramirez), mais conhecida como Cinderela nos contos de fadas.
À primeira vista, a nova maldição também parece ter afetado Regina (Lana Parrilla), Gancho (Colin O´Donoghue) e Rumplestiltskin (Robert Carlyle), que assumiram novas identidades na trama.
Acredito que o grande problema da estreia de "Once Upon a Time" não tenha sido a repetição da fórmula em si, uma vez que o recurso poderia ser usado, de forma afetiva, para amarrar as seis temporadas anteriores a este recomeço. A empreitada, no entanto, fracassa logo de cara e por um motivo bastante óbvio: não há um enredo forte e coerente que sustente esse recurso. Mesmo com as pontas soltas, deixadas propositalmente para serem amarradas ao longo dos episódios, o roteiro por escolhas e argumentos frágeis, que mais enfraquecem do que alimentam os conflitos da temporada.
A concepção dos personagens também parece um erro difícil de ser consertado. Além não terem o mesmo carisma, os novos tipos criados nem de longe parecem insinuar a complexidade vista nos anos anteriores. A ambientação da trama em Seattle, uma cidade maior do que a fictícia Storybrooke, também não parecem contribuir em nada com a série.
De certa forma, apesar das referências, pode-se dizer que a "Once Upon a Time" original foi encerrada na temporada passada e, agora, uma nova série se apresenta. Levando em consideração os primeiros momentos, a repetição da fórmula resultou em um enredo fraco e pouco interessante, com personagens pouco inspirados. Na hora de se questionarem sobre parar ou continuar, pela coerência do universo criado, talvez os criadores deveriam ter optado pela primeira opção. Como isso não aconteceu, resta vez de que forma a série vai caminhar nesse novo ano.

ONCE UPON A TIME (sétima temporada)

ONDE: ABC (Estados Unidos) e Sony (Brasil; ainda sem data de estreia)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

"The Gifted" explora conflito dos mutantes melhor que todos os filmes dos X-Men

O conflito entre mutantes e o resto da humanidade, que transmite mensagens sobre intolerância às diferenças, sempre foi a essência dos "X-Men". Curiosamente, o cinema nunca conseguiu explorar bem esse aspecto do enredo, reduzindo a história dos mutantes a meros filmes de heróis, nem tão bons assim, diga-se de passagem. Apenas do episódio de estreia, a série "The Gifted" não só expande esse universo para a televisão, como também busca a complexidade da trama ignorada pela sétima arte.
A produção da série continua sendo da Fox, também responsável pelos filmes. A direção do primeiro episódio fica por conta de Bryan Singer, que capitaneou a maioria dos longas dos mutantes. Os pontos em comum com a série, no entanto, param por aí, além de citações do roteiro sobre a ausência do grupo do professor Charles Xavier.
A trama de "The Gifted" se passa em uma época em que as leis estão mais rígidas e a intolerância da população em relação aos mutantes está mais acentuada. Nesse cenário, um grupo de resistência mutante tenta fugir das autoridades, que os classificam como ameaças. Em uma dessas fugas, o grupo conhece Blink (Jamie Chung), que consegue se locomover através de portais. A tentativa de salvá-la, no entanto, faz com que Lorna (Emma Dumont), mais conhecida como Polaris.
Enquanto isso, os filhos do promotor Reed Strucker (Stephen Moyer) passam a ser perseguidos pelo Serviço Sentinela, uma agência federal criada para cuidar de incidentes relacionados a mutantes. Os oficiais são alertados após a revelação dos poderes de Andy (Percy Hynes White) em um baile da escola. Com a ajuda da irmã Lauren (Natalie Alyn Lind), ele consegue fugir do local e pedir a ajuda da família.
Para tentar salvar os filhos, Reed e a esposa Kate (Amy Acker) decidem procurar o grupo de resistência mutante para tentar fazer com que os dois saíam do país.
A primeira diferença entre "The Gifted" e o que já vimos dos "X-Men" no cinema é a estética, mais "sisuda" e "sombria", que encaixa muito bem com a intenção da série de aprofundar o universo dos mutantes. A apresentação da trama e dos personagens, no primeiro episódio, deixa transparecer o desejo em buscar aspectos mais complexos da história, algo encarado de forma rasa nos filmes.
Por trás do faceta heroica dos "X-Men", sempre esteve presente uma proposta de discutir algo muito necessário nos dias de hoje: a intolerância. A mutação dos personagens e a reação da humanidade a essas diferenças podem servir de analogia para debatermos preconceito e as dificuldades de aceitação de tudo aquilo que foge dos conceitos de "normalidade" e "padronização". Essa é a principal qualidade da série, que aborda o tema, no primeiro episódio, de forma interessante e promissora, muito melhor do que em anos de "X-Men" nos cinemas.
O formato talvez seja a resposta para justificar a melhor exploração desse universo. Na televisão, com mais tempo e oportunidade para desenvolver a narrativa, a série pode acabar conquistando o espaço ainda não explorado da complexidade da trama.
"The Gifted" ainda tem uma longa trajetória até poder ser considerada um sucesso, mas já estreia mostrando que pode um lugar ainda pouco explorado pela franquia dos mutantes no audiovisual. Espero que continue assim!

THE GIFTED (primeira temporada)

ONDE: FOX (já em exibição no Brasil)

QUANDO: Todas as terças-feiras, às 22h30

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Quatro novas séries para prestar atenção e uma para esquecer que existe


Entre os meses de setembro e outubro, a televisão norte-americana vive a Fall Season, temporada de estreia dedicada aos principais produtos dos canais. Geralmente, as maiores apostas das emissoras são reservadas para estrear nesse período, considerado o mais nobre para a indústria televisiva. Como ainda é muito cedo para dar um veredito sobre o futuro dessas novas atrações, resolvi falar sobre as primeiras impressões de cinco novas séries que estrearam nos últimos dias. Quatro delas revelaram, nos primeiros episódios, tramas interessantes e que podem resultar em novas atrações para acompanhar. Como nem tudo é perfeito, logo no estreia, uma atração já dá sinais de que começou "com o pé esquerdo". Vamos a elas:

QUATRO NOVAS SÉRIES PARA PRESTAR ATENÇÃO...

1) Law & Order: True Crime

Querendo uma fatia na nova moda das antologias, a consagrada franquia "Law & Order" estreou uma série que se propõe a retratar crimes reais, que ocorreram nos Estados Unidos, algo semelhante a "American Crime Story", do FX. Na primeira temporada de "Law & Order: True Crime", o caso escolhido foi o assassinato do casal Menendez, muito conhecido na terra do Tio Sam. Sob a batuta de Dick Wolf, a produção começa mostrando o crime em si e os desdobramentos da investigação policial. Quem encabeça o elenco é Edie Falco, atriz premiada que interpreta uma advogada influente que se conecta ao caso. Com um primeiro episódio interessante, mesmo sem grandes surpresas na narrativa, a trama pode prender e emplacar a série como mais uma antologia de sucesso da TV.

- Ainda sem data de estreia no Brasil


2) The Good Doctor

Se tem alguém que entende de médicos desajustados e com dificuldades de relacionamento, esse alguém é David Shore. O criador do clássico "House" volta com mais um médico como protagonista de uma série, desta vez interpretado por Freddie Highmore, recém-saído de "Bates Motel". Agora, ele interpreta um jovem médico que, diagnosticado com autismo, lida com preconceitos e suas dificuldades de relacionamento para se firmar dentro de um hospital. Shore parece dominar a "fórmula", se é que existe, para uma boa série médica, conseguindo prender a atenção do espectador. Ainda lembrando muito o papel anterior, Norman Bates, Highmore vai conquistando o espectador aos poucos e, ao fim do primeiro episódio, já conquista empatia suficiente para levar a série adiante.

- Ainda sem data de estreia no Brasil


3) The Brave

Ao que parece, a nova moda dos canais nessa Fall Season são as séries relacionadas ao combate dos Estados Unidos contra o terrorismo. Entre elas, um destaque positivo é "The Brave", produção que trouxe um primeiro episódio cheio de reviravoltas. Na trama, uma equipe militar é recrutada para salvar uma médica, sequestrada por um grupo terrorista. No meio da preparação para a ação, eles ficam sabendo que um dos líderes desse grupo está vivo e, diante disso, precisam de habilidade para mudar os rumos da missão. A série deixa um bom gancho para o segundo episódio e desperta curiosidade sobre a condução da trama ao longo de uma temporada.

- Ainda sem data de estreia no Brasil


4) Absentia

Um serial killer, que costuma retirar as pálpebras de suas vítimas, é condenado pelo assassinato de uma agente do FBI, cujo corpo nunca foi encontrado. Anos depois, o ex-marido da vítima, também agente do FBI, recebe uma pista e descobre que a esposa está viva e foi mantida, durante todo esse tempo, em cárcere privado. Seria mesmo o serial killer culpado pelo crime? Quem manteve a agente presa durante tanto tempo? Por qual motivo? O que aconteceu com ela no cativeiro? Todas essas perguntas são deixadas no ar na estreia de "Absentia", suspense policial que deixa o espectador curioso por respostas logo de cara. Pode ser um dos grandes acerto dessa temporada de estreias, se souber se manter assim.

- Ainda sem data de estreia no Brasil



... E UMA NOVA SÉRIE PARA ESQUECER QUE EXISTE

1) The Mayor

Protagonista da insuportável comédia musical "Glee", a atriz Lea Michele tenta emplacar em uma nova série de humor. Ou melhor, uma série que tenta fazer humor, mas que não tem nenhuma graça. Na atração, ela vive uma assessora política que passa a comandar a equipe de um rapper que se torna prefeito sem nenhum preparo para o cargo. Ele, na verdade, só pretendia usar a campanha para promover seu novo álbum, mas acabou conquistando a maioria dos votos. Piadas sem graça, situações pouco inspiradas e uma pretensão política batida e rasa, "The Mayor" já é um dos grandes vexames da temporada. Sinto cheiro de cancelamento vindo...

- Ainda sem data de estreia no Brasil