terça-feira, 10 de outubro de 2017

"Scandal" estreia última temporada mais focada em política e força da protagonista


Desde o início, "Scandal" sempre apresentou tramas que giraram em torno do universo de Olivia Pope (Kerry Washington). Todos os seis anos anteriores parecem ter servido como uma "escala" para o momento atual da série, que começou a anunciada sétima e última temporada com um foco maior ainda nas ações da protagonista, agora a principal força de poder na Casa Branca. Como não poderia deixar de ser, a política ocupou o lugar das conspirações e planos de espionagem e, mesmo sempre estando presente, ganhou importância ainda maior.
Agora como chefe de gabinete de Mellie (Bellamy Young), Olivia está disposta a provar que as diretrizes políticas dela são as que devem prevalecer em Washington. Em outras palavras: quer mostrar que ela dá as cartas. No primeiro episódio da nova temporada, todas as articulações da Casa Branca estão sendo feitas para aprovar, no Capitólio, um projeto que institui faculdade de graça para a população mais pobre do país. Para isso, Olivia não mede esforços para persuadir, inclusive com chantagem, os adversários da proposta. O agora vice-presidente Cyrus Beene (Jeff Perry) também é colocado em campo para agir pela aprovação da medida.
As demonstrações de poder de Olivia também envolvem o pai, Rowan (Joe Morton), que passa a ser vigiado de perto pela filha, e a antiga organização gerida por ele, o B-613. As funções da protagonista como nova Comandante são necessária, no episódio, para a tentativa de resgate de um espião da CIA, capturado em território inimigo. Contrariando os procedimentos anteriores da organização, Olivia insiste com Jake (Scott Foley) em um plano de resgate contestado até pela presidente, o que faz com que a protagonista aja para impor suas decisões.
Com a política sempre servindo de segundo plano para as conspirações e espionagens, "Scandal" demonstra, no primeiro episódio, interesse em falar mais sobre o tema, dando protagonismo a discussões relacionadas a articulações entre as principais lideranças políticas. O comando de duas mulheres nas principais cadeiras da Casa Branca também pode render bons conflitos.
Os roteiristas também chegaram a um ponto interessante da trajetória de Olivia Pope. Depois de passar por momentos que iam de amante do presidente a pretensa primeira-dama, a protagonista fez escolhas radicais e chega, agora, ao ápice tentando impor suas vontades. Olivia parece disposta a mostrar que o universo dela vai curvar a política de Washington, assumindo todos os riscos para isso.
Como já anunciado na imprensa norte-americana, "Scandal" promete acabar no topo e tem todas as condições de fazer isso, se souber explorar bem os conflitos políticos que se apresentam e o protagonismo ainda mais evidente de Olivia Pope.

SCANDAL (sétima e última temporada)

ONDE: ABC (Estados Unidos) e Sony (Brasil; ainda sem data oficial de estreia)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Repetição de fórmula e enredo fraco mostram que "Once Upon a Time" não deveria ter continuado

No mundo das séries, uma pergunta sempre aparece: é melhor terminar por cima, com coerência, ou se prolongar em tramas desnecessárias, com possibilidade de desgaste? Antes do fim da sexta temporada de "Once Upon a Time", com o anúncio da saída da protagonista e de outros personagens importantes, a série passou por esse questionamento e os criadores da atração decidiram prosseguir com um novo arco narrativo. Ainda é cedo para um veredito definitivo, mas, a julgar pelo primeiro episódio do sétimo ano, a resposta para a questão deveria ter sido outra.
Diante da anunciada saída de Jennifer Morrison e da "limpa" feita no elenco, para a renovação da história, o que se viu nos primeiros momentos da nova temporada foi apenas a repetição da fórmula que consagrou a série. Agora, no entanto, há uma diferença: um enredo extremamente frágil, que torna o recomeço ainda mais forçado e menos interessante.
Anos depois de a maldição de Storybrooke ter sido quebrada, Henry Mills, agora vivido por Andrew J. West, vive em Seattle e continuou sua tarefa de escrever os finais felizes dos personagens de contos de fadas. Assim como no início da história original, uma criança batendo à porta do protagonista desencadeia o enredo da temporada. Agora, Lucy (Alison Fernandez) aparece dizendo ser filha de Henry, que não se lembraria do fato por conta de uma nova maldição.
Os personagens infantis, agora, estão presos em um bairro de Seattle e ignoram suas existências anteriores por conta de Lady Tremaine (Gabrielle Anwar), que, no mundo real, se tornou uma poderosa empresária, que adquire imóveis e poder na região. O principal alvo dela é Jacinda (Dania Ramirez), mais conhecida como Cinderela nos contos de fadas.
À primeira vista, a nova maldição também parece ter afetado Regina (Lana Parrilla), Gancho (Colin O´Donoghue) e Rumplestiltskin (Robert Carlyle), que assumiram novas identidades na trama.
Acredito que o grande problema da estreia de "Once Upon a Time" não tenha sido a repetição da fórmula em si, uma vez que o recurso poderia ser usado, de forma afetiva, para amarrar as seis temporadas anteriores a este recomeço. A empreitada, no entanto, fracassa logo de cara e por um motivo bastante óbvio: não há um enredo forte e coerente que sustente esse recurso. Mesmo com as pontas soltas, deixadas propositalmente para serem amarradas ao longo dos episódios, o roteiro por escolhas e argumentos frágeis, que mais enfraquecem do que alimentam os conflitos da temporada.
A concepção dos personagens também parece um erro difícil de ser consertado. Além não terem o mesmo carisma, os novos tipos criados nem de longe parecem insinuar a complexidade vista nos anos anteriores. A ambientação da trama em Seattle, uma cidade maior do que a fictícia Storybrooke, também não parecem contribuir em nada com a série.
De certa forma, apesar das referências, pode-se dizer que a "Once Upon a Time" original foi encerrada na temporada passada e, agora, uma nova série se apresenta. Levando em consideração os primeiros momentos, a repetição da fórmula resultou em um enredo fraco e pouco interessante, com personagens pouco inspirados. Na hora de se questionarem sobre parar ou continuar, pela coerência do universo criado, talvez os criadores deveriam ter optado pela primeira opção. Como isso não aconteceu, resta vez de que forma a série vai caminhar nesse novo ano.

ONCE UPON A TIME (sétima temporada)

ONDE: ABC (Estados Unidos) e Sony (Brasil; ainda sem data de estreia)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

"The Gifted" explora conflito dos mutantes melhor que todos os filmes dos X-Men

O conflito entre mutantes e o resto da humanidade, que transmite mensagens sobre intolerância às diferenças, sempre foi a essência dos "X-Men". Curiosamente, o cinema nunca conseguiu explorar bem esse aspecto do enredo, reduzindo a história dos mutantes a meros filmes de heróis, nem tão bons assim, diga-se de passagem. Apenas do episódio de estreia, a série "The Gifted" não só expande esse universo para a televisão, como também busca a complexidade da trama ignorada pela sétima arte.
A produção da série continua sendo da Fox, também responsável pelos filmes. A direção do primeiro episódio fica por conta de Bryan Singer, que capitaneou a maioria dos longas dos mutantes. Os pontos em comum com a série, no entanto, param por aí, além de citações do roteiro sobre a ausência do grupo do professor Charles Xavier.
A trama de "The Gifted" se passa em uma época em que as leis estão mais rígidas e a intolerância da população em relação aos mutantes está mais acentuada. Nesse cenário, um grupo de resistência mutante tenta fugir das autoridades, que os classificam como ameaças. Em uma dessas fugas, o grupo conhece Blink (Jamie Chung), que consegue se locomover através de portais. A tentativa de salvá-la, no entanto, faz com que Lorna (Emma Dumont), mais conhecida como Polaris.
Enquanto isso, os filhos do promotor Reed Strucker (Stephen Moyer) passam a ser perseguidos pelo Serviço Sentinela, uma agência federal criada para cuidar de incidentes relacionados a mutantes. Os oficiais são alertados após a revelação dos poderes de Andy (Percy Hynes White) em um baile da escola. Com a ajuda da irmã Lauren (Natalie Alyn Lind), ele consegue fugir do local e pedir a ajuda da família.
Para tentar salvar os filhos, Reed e a esposa Kate (Amy Acker) decidem procurar o grupo de resistência mutante para tentar fazer com que os dois saíam do país.
A primeira diferença entre "The Gifted" e o que já vimos dos "X-Men" no cinema é a estética, mais "sisuda" e "sombria", que encaixa muito bem com a intenção da série de aprofundar o universo dos mutantes. A apresentação da trama e dos personagens, no primeiro episódio, deixa transparecer o desejo em buscar aspectos mais complexos da história, algo encarado de forma rasa nos filmes.
Por trás do faceta heroica dos "X-Men", sempre esteve presente uma proposta de discutir algo muito necessário nos dias de hoje: a intolerância. A mutação dos personagens e a reação da humanidade a essas diferenças podem servir de analogia para debatermos preconceito e as dificuldades de aceitação de tudo aquilo que foge dos conceitos de "normalidade" e "padronização". Essa é a principal qualidade da série, que aborda o tema, no primeiro episódio, de forma interessante e promissora, muito melhor do que em anos de "X-Men" nos cinemas.
O formato talvez seja a resposta para justificar a melhor exploração desse universo. Na televisão, com mais tempo e oportunidade para desenvolver a narrativa, a série pode acabar conquistando o espaço ainda não explorado da complexidade da trama.
"The Gifted" ainda tem uma longa trajetória até poder ser considerada um sucesso, mas já estreia mostrando que pode um lugar ainda pouco explorado pela franquia dos mutantes no audiovisual. Espero que continue assim!

THE GIFTED (primeira temporada)

ONDE: FOX (já em exibição no Brasil)

QUANDO: Todas as terças-feiras, às 22h30

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Quatro novas séries para prestar atenção e uma para esquecer que existe


Entre os meses de setembro e outubro, a televisão norte-americana vive a Fall Season, temporada de estreia dedicada aos principais produtos dos canais. Geralmente, as maiores apostas das emissoras são reservadas para estrear nesse período, considerado o mais nobre para a indústria televisiva. Como ainda é muito cedo para dar um veredito sobre o futuro dessas novas atrações, resolvi falar sobre as primeiras impressões de cinco novas séries que estrearam nos últimos dias. Quatro delas revelaram, nos primeiros episódios, tramas interessantes e que podem resultar em novas atrações para acompanhar. Como nem tudo é perfeito, logo no estreia, uma atração já dá sinais de que começou "com o pé esquerdo". Vamos a elas:

QUATRO NOVAS SÉRIES PARA PRESTAR ATENÇÃO...

1) Law & Order: True Crime

Querendo uma fatia na nova moda das antologias, a consagrada franquia "Law & Order" estreou uma série que se propõe a retratar crimes reais, que ocorreram nos Estados Unidos, algo semelhante a "American Crime Story", do FX. Na primeira temporada de "Law & Order: True Crime", o caso escolhido foi o assassinato do casal Menendez, muito conhecido na terra do Tio Sam. Sob a batuta de Dick Wolf, a produção começa mostrando o crime em si e os desdobramentos da investigação policial. Quem encabeça o elenco é Edie Falco, atriz premiada que interpreta uma advogada influente que se conecta ao caso. Com um primeiro episódio interessante, mesmo sem grandes surpresas na narrativa, a trama pode prender e emplacar a série como mais uma antologia de sucesso da TV.

- Ainda sem data de estreia no Brasil


2) The Good Doctor

Se tem alguém que entende de médicos desajustados e com dificuldades de relacionamento, esse alguém é David Shore. O criador do clássico "House" volta com mais um médico como protagonista de uma série, desta vez interpretado por Freddie Highmore, recém-saído de "Bates Motel". Agora, ele interpreta um jovem médico que, diagnosticado com autismo, lida com preconceitos e suas dificuldades de relacionamento para se firmar dentro de um hospital. Shore parece dominar a "fórmula", se é que existe, para uma boa série médica, conseguindo prender a atenção do espectador. Ainda lembrando muito o papel anterior, Norman Bates, Highmore vai conquistando o espectador aos poucos e, ao fim do primeiro episódio, já conquista empatia suficiente para levar a série adiante.

- Ainda sem data de estreia no Brasil


3) The Brave

Ao que parece, a nova moda dos canais nessa Fall Season são as séries relacionadas ao combate dos Estados Unidos contra o terrorismo. Entre elas, um destaque positivo é "The Brave", produção que trouxe um primeiro episódio cheio de reviravoltas. Na trama, uma equipe militar é recrutada para salvar uma médica, sequestrada por um grupo terrorista. No meio da preparação para a ação, eles ficam sabendo que um dos líderes desse grupo está vivo e, diante disso, precisam de habilidade para mudar os rumos da missão. A série deixa um bom gancho para o segundo episódio e desperta curiosidade sobre a condução da trama ao longo de uma temporada.

- Ainda sem data de estreia no Brasil


4) Absentia

Um serial killer, que costuma retirar as pálpebras de suas vítimas, é condenado pelo assassinato de uma agente do FBI, cujo corpo nunca foi encontrado. Anos depois, o ex-marido da vítima, também agente do FBI, recebe uma pista e descobre que a esposa está viva e foi mantida, durante todo esse tempo, em cárcere privado. Seria mesmo o serial killer culpado pelo crime? Quem manteve a agente presa durante tanto tempo? Por qual motivo? O que aconteceu com ela no cativeiro? Todas essas perguntas são deixadas no ar na estreia de "Absentia", suspense policial que deixa o espectador curioso por respostas logo de cara. Pode ser um dos grandes acerto dessa temporada de estreias, se souber se manter assim.

- Ainda sem data de estreia no Brasil



... E UMA NOVA SÉRIE PARA ESQUECER QUE EXISTE

1) The Mayor

Protagonista da insuportável comédia musical "Glee", a atriz Lea Michele tenta emplacar em uma nova série de humor. Ou melhor, uma série que tenta fazer humor, mas que não tem nenhuma graça. Na atração, ela vive uma assessora política que passa a comandar a equipe de um rapper que se torna prefeito sem nenhum preparo para o cargo. Ele, na verdade, só pretendia usar a campanha para promover seu novo álbum, mas acabou conquistando a maioria dos votos. Piadas sem graça, situações pouco inspiradas e uma pretensão política batida e rasa, "The Mayor" já é um dos grandes vexames da temporada. Sinto cheiro de cancelamento vindo...

- Ainda sem data de estreia no Brasil

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

"Grey´s Anatomy" segue tentando retomar características que consagraram a série

Depois de treze anos no ar e inúmeras reviravoltas para a trama, como a saída de importantes personagens, é difícil pensar para onde vai caminhar "Grey´s Anatomy" na décima quarta temporada. No episódio de estreia, exibido na quinta-feira (28), nos Estados Unidos, deu para perceber que a equipe da criadora Shonda Rhimes quer resgatar elementos perdidos ao longo do tempo e que fizeram a série ser uma das mais bem-sucedidas na televisão norte-americana.
O drama clássico da série, banalizado em temporadas anteriores, dá sinais de uma volta mais intensa neste novo ano, especialmente relacionado ao conflito de Meredith (Ellen Pompeo) e a volta da esposa de Nathan (Martin Henderson), o interesse amoroso da protagonista após a traumática morte de Derek Shepherd (Patrick Dempsey).
Depois de passar anos como refém em uma zona de guerra, no Oriente Médio, a mulher de Nathan, irmã de Owen Hunt (Kevin McKidd), é levada para o Grey Sloan Memorial Hospital para tratar de ferimentos. A volta dela, até então, dada como morta, deixa o relacionamento entre Nathan e Meredith em suspenso. A situação se torna ainda mais delicada quando a médica se dispõe a tratar da mulher, com a promessa de um transplante que pode melhorar a qualidade de vida da paciente, que, por sua vez, deseja voltar para o filho adotivo que deixou na zona de conflito.
Mesmo com a cunhada no hospital, Amelia (Caterina Scorsone) se mantém afastada do contato com Hunt e a família dele. Para se manter longe deles, é passa a se dedicar, em tempo integral, ao caso de um garoto de sofre de constantes e intensas dores de cabeça. A doença do menino, considerada inoperável, faz com que a médica use um artifício arriscado para convencer Jackson (Jesse Williams) a restaurar a mandíbula do paciente, danificada durante a operação.
O início do décimo quarto ano ainda traz a busca por normalidade no relacionamento entre Karev (Justin Chambers) e Jo (Camilla Luddington) e as reformas do hospital, coordenadas por Miranda Bailey (Chandra Wilson), às voltas, também, com questões feministas relacionadas à posição dela como chefe. Como não podia deixar de ser, um novo grupo de internos também surge para testar a paciência de Richard Webber (James Pickens Jr.).
Há, pelo menos, duas temporadas "Grey´s Anatomy" parece ter entendido a importância de retomar características importantes da série, como o foco no drama e na trajetória de Meredith, perdidas ao longo do tempo. Agora, isso ganha ainda mais força e pode representar ganhos interessantes para uma produção que, por estar no ar há tantos anos, enfrenta desafios para a reinvenção.
Além de continuar transitando entre o drama e o humor com muita naturalidade, o roteiro parece acertar ao dar mais foco e desenvolvimento a tramas. A escolha pela saída de alguns personagens desgastados e perdidos na história, como Stephanie (Jerrika Hilton) e Eliza Minnick (Marika Dominczyk), esta última de curta permanência, também foi acertada. Trazer de volta a médica Teddy Altman (Kim Raver) foi uma boa forma de mexer com a trama de Owen e Amelia. O drama da cunhada de Meredith também pode render bons frutos.
Diante de uma trajetória tão intensa, "Grey´s Anatomy" parece estar fazendo as escolhas certas para o futuro, que caminha sem data certa para o desfecho. O resgate de características que sustentaram a série ao longo desses anos pode ser uma boa forma de mantê-la interessante por mais algum tempo.


GREY´S ANATOMY (décima quarta temporada)

ONDE: ABC (Estados Unidos) e Canal Sony (Brasil; ainda sem data de estreia)

"How to Get Away with Murder" foge do óbvio na estreia da quarta temporada

Já virou um hábito vermos Annalise Keating (Viola Davis) e seus alunos de Direito envolvidos em um crime, geralmente um assassinato, nos inícios de temporadas. Mas, os criadores de "How to Get Away with Murder" resolveram fugir do óbvio e começaram o quarto ano da série mais focados nos dramas pessoais da protagonista e em algumas pontas soltas deixadas na temporada passada.
Na estreia do novo ano, que ocorreu na quinta-feira (28), nos Estados Unidos, a advogada volta a ser Anna Mae para cuidar da mãe (Cicely Tyson), que está sofrendo de demência. Como sempre acontece no ambiente familiar, o espectador pode, então, entrar em contato com um lado mais frágil e humano da protagonista, que, além de lidar com a doença da matriarca da família, ainda precisa encarar problemas do passado e os traumas recentes causados pela morte de Wes (Alfred Enoch).
Enquanto isso, os alunos de Annalise tentam retomar a vida após os acontecimentos traumáticos da terceira temporada. A mais afetada continua sendo Laurel (Karla Souza), que permanece grávida de Wes e ainda tendo que lidar com as informações sobre o assassinato do personagem. Connor (Jack Falahee) e Oliver (Conrad Ricamora) tentam retomar a relação e passam a discutir, inclusive, casamento, ao mesmo tempo em que Michaela (Aja Naomi King) e Asher (Matt McGorry) também levam o relacionamento a outro patamar.
O grupo, contudo, é surpreendido por uma mensagem de Annalise e um convite para jantar. Lá, eles descobrem que estão sendo dispensados pela advogada e reagem mal a ter que deixar de trabalhar com a advogada, mesmo já tendo desejado por isso. A dispensa também envolve a fiel escudeira Bonnie (Liza Weil), também surpresa com a decisão da protagonista.
Tentando fugir do habitual recurso para criar um fio-condutor para a temporada, "How to Get Away with Murder" volta explorando aspectos pessoais da protagonista, buscando dar o tom das mudanças da personagem para a temporada. Mesmo não resistindo e deixando um gancho misterioso para os próximos episódios, a série acerta ao desviar da fórmula que a consagrou. Ainda é cedo, no entanto, para saber se a trama do novo ano vai conseguir se sustentar com o caminhar dos capítulos.
Além da precisa e sempre intensa interpretação de Viola Davis, merece destaque o desempenho de Cicely Tyson, que contribui com bastante força na estreia da quarta temporada e como já fez ao longo dos outros anos. A personagem de Liza Weil também pode ganhar contornos interessantes na nova temporada. O único perdido por ali, pelo menos por enquanto, é Frank (Charlie Weber), que ainda aparece sem função para a trama.
Pelo menos na estreia, "How to Get Away with Murder" deu um passo interessante para a construção de uma nova temporada. Resta saber se a série terá uma história tão intensa quanto nos outros anos.


HOW TO GET AWAY WITH MURDER (quarta temporada)

ONDE: ABC (Estados Unidos) e Canal Sony (Brasil; ainda sem data de lançamento)

domingo, 1 de outubro de 2017

Nova versão de "DuckTales" revive clássico para novas gerações

Desde que foi anunciada, a nova versão do clássico desenho "DuckTales", que recebeu o título de "Caçadores de Aventuras" aqui no Brasil, me despertou muita curiosidade. Afinal, como resgatar um sucesso do final dos anos 80 e início dos anos 90 para o público de hoje? Agora, com a estreia da animação nos Estados Unidos, produzida pelo canal Disney XD, a resposta parece óbvia: uma história divertida, bons personagens e uma "pitada" de atualidade.
A nova versão do desenho ainda gira em torno de Tio Patinhas (voz de David Tennant, o Killgrave de "Jessica Jones") e sua busca por tesouros. Agora, no entanto, o roteiro procura dar mais detalhes sobre a origem dos sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luizinho, deixados na mansão do pato mais rico do mundo enquanto o tio deles, o Pato Donald (na voz clássica de Tony Anselmo), procura por emprego. A origem pouco explorada do trio de sobrinhos do Tio Patinhas também ganha novos contornos com o mistério envolvendo a mãe dos jovens patos.
Com os sobrinhos e Donald participando de alguns episódios, o Tio Patinhas, depois de uma dedicação mais intensa aos negócios quem envolvem sua Caixa-Forte, volta a buscar por tesouros e mistérios antigos. Essas histórias trazem, também, referências ao desenho original, com a inclusão de personagens clássicos como Capitão Boing, Professor Pardal, os Irmãos Metralha e Pão-Duro McMoney.
Além dos elementos presentes no original, o novo "DuckTales" mostra interesse e dedicação a se enquadrar em questões atuais, sem perder a essência. Isso fica muito claro na forma como as personagens Patrícia e Patilda são apresentadas. Agora, as patas estão bem longe do esteriótipo de fragilidade feminina do original e ganham mais importância na história.
Em relação à adaptação, pelo menos por enquanto, pode-se dizer que a tarefa de transportar a animação para o público atual foi bem-sucedida. Além de ganhar personagens mais complexos, a nova versão soube respeitar o "espírito" do original e, ao mesmo tempo, retratar hábitos e comportamentos modernos. O traço do desenho também é esteticamente interessante, algo difícil se pensarmos em outras séries do gênero.
A nova versão de "DuckTales" surge como uma ótima opção para o público infantil, que pode assistir a uma animação que flerta com o clássico, mas se apresenta como algo perfeitamente encaixado aos dias de hoje. No fundo, o desenho surge para reforçar que uma história divertida e bons personagens podem ser explorados em qualquer tempo.

DUCKTALES (primeira temporada)

ONDE: Disney XD (ainda sem data de lançamento no Brasil)

COTAÇÃO: ★★★★ (ótimo)