segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

"American Crime Story" volta com equilíbrio entre estética marcante e roteiro bem construído

Em entrevista ao jornal The New York Times, em 2015, a estilista Donatella Versace, ao ser questionada sobre o trabalho feito na marca que leva o sobrenome da família, afirmou que ali não havia espaço para minimalismos. Isso dito para caracterizar as criações da Versace, não é de se espantar que o escolhido para contar uma marcante e trágica história envolvendo a empresa de moda seja  Ryan Murphy, profissional de televisão conhecido, especialmente por um tom marcante em suas produções, que, inclusive, já beiraram o exagero. Na segunda temporada de "American Crime Story", no entanto, ela mostra que soube construir um bom equilíbrio em suas tramas.
Seguindo a proposta de antologia da série, com uma história diferente a cada temporada, o segundo ano da produção recebeu o subtítulo "The Assassination of Gianni Versace" e já introduziu, no primeiro episódio, o espectador ao crime da trama. Construído em duas linhas temporais distintas, costuradas pelos acontecimentos, o roteiro começa apresentando uma parte da rotina do famoso estilista Gianni Versace (Edgar Ramirez), que vive em uma mansão na badalada Ocean Drive, em Miami, ao lado do namorado Antonio D´Amico (Ricky Martin).
Em uma manhã de 1997, após uma caminhada para comprar revistas em uma banca da região, Versace é surpreendido por Andrew Cunanan (Darren Criss), um homem que rondava a mansão do famoso estilista desde o início daquele dia. O assassinato, bem na porta da casa, logo chama a atenção da mídia, que se instala no local e registra a chegada da irmã de Gianni, Donatella Versace (Penélope Cruz), incumbida de tomar todas as providências sobre a morte do irmão e os negócios da família.
Na outra linha narrativa da série, o público descobre a ligação entre Versace e Cunanan, que estabeleceram uma ligação de interesse e desejo. No primeiro episódio, a série também começa a dar sinais sobre a construção da personalidade do assassino, procurando, já antes do crime contra o estilista, pelo FBI.
Já há algum tempo, Ryan Murphy vem mostrando que deixou para trás o exagero desnecessário presente em suas primeiras obras. Assim como em "Feud" e na temporada de "American Crime Story" dedicada a O.J. Simpson, o criador prova que soube "peneirar" seu estilo, descartando qualquer tipo de excesso sem descaracterizar seu senso estético. Agora, ele mantém o tom marcante e mostra um apurado olhar sobre a obra.
Presente na construção dos personagens e na estética, o tom marcante se une a um roteiro inteligente, que usa linhas temporais distintas para valorizar a trama e criar uma progressão do interesse pela história, aspecto fundamental, especialmente, levando-se em conta de que o crime já é bastante conhecido. Ainda é cedo para falar sobre o desenvolvimento da narrativa, mas o primeiro episódio mostrou bons diálogos e uma promissora construção de personagens.
Os destaques do elenco, na estreia, ficam por conta de Darren Criss, que pode surpreender como o criminoso da série; Edgar Ramirez, que mostrou semelhanças com Gianni Versace; e Penélope Cruz, que dá sinais de fugir de uma interpretação caricata da difícil figura da estilista.
Depois de um primeiro ano interessante, "American Crime Story" parece ter pela frente uma promissora temporada, que já mostrou, no primeiro episódio, um equilíbrio entre a personalidade marcante de Ryan Murphy para criar histórias e uma construção bastante competente do roteiro, que apresentou primeiros momentos curiosos e intensos.

AMERICAN CRIME STORY (segunda temporada)

THE ASSASSINATION OF GIANNI VERSACE

ONDE: FX

QUANDO: todas as quintas-feiras, às 23 horas

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Volta de David Letterman mostra que boa conversa ainda tem espaço no mundo sob demanda

Em meio a uma programação variada, algumas coisas me fazem interromper o ato de zapear pelos canais ou buscar algo para ver nos serviços de streaming e conteúdo sob demanda. Entre essas atrações que prendem a minha atenção, estão as entrevistas, que podem render boas reflexões, trazer informações e despertar curiosidades sobre assuntos ou figuras conhecidas. Durante décadas, um dos entrevistadores que esteve no centro desse universo foi David Letterman, que recebia os mais variados convidados no "The Late Show", programa que, mesmo focado no entretenimento, costumava ser palco de algumas discussões relevantes.
Após mais de trinta anos no ar, observando as mudanças do mundo e a proliferação acelerada de programas semelhantes, que vinham apostando mais no show do que no talk, Letterman deixou o formato que o consagrou e passou pouco mais de dois anos em uma "aposentadoria". Agora, ele está de volta com "My Next Guest Needs No Introduction", série especial de entrevistas produzidas para o serviço de streaming Netflix.
No primeiro programa, Letterman escolheu entrevistar um outro "aposentado", o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Em um momento de tensão para o Tio Sam, com Donald Trump ocupando o Salão Oval da Casa Branca, a conversa com o primeiro presidente negro da potência mundial soa extremamente oportuna e rende boas reflexões, inclusive, para entendermos o que acontece no Brasil e em outras partes do mundo.
Sem citar nominalmente Trump, Obama expõe alguns pensamentos sobre o último processo eleitoral norte-americano e, especialmente, sobre o sentimento de polarização que domina o mundo a passos largos. Ao falar sobre o consumo de informações e o radicalismo em defender um ponto de vista, sem nem mesmo se propor a conhecer o outro lado, o ex-presidente abre um canal para um debate que, mais do que nunca, precisa ser feito.
Em outro momento, Obama é questionado sobre preconceito e tolerância, assuntos que também esbarram em ações de Donald Trump. Para abordar os temas, Letterman relembra a marcha da cidade de Selma até Montgomery, no Alabama, em 1965, quando a comunidade negra caminhou pelo direito ao voto. De forma inteligente e pertinente, a abordagem mostra que a luta pela igualdade beneficia todos, não apenas grupos específicos.
Como toda boa conversa, Obama e Letterman também falam sobre assuntos triviais da vida, como filhos, relacionamento e atividades profissionais, tudo com muita descontração e simplicidade.
Além de trazer David Letterman de volta da "aposentadoria", "My Next Guest Needs No Introduction" reforça que boas conversas e reflexões ainda tem espaço e relevância em um mundo repleto de opções e consumo sob demanda. Vale a pena escolher o programa de entrevistas no catálogo variado do Netflix, mesmo que só haja um episódio disponível até agora. Espero, inclusive, que, além das seis entrevistas programadas, outras muitas surjam para ocupar esse espaço no serviço de streaming.

MY NEXT GUEST NEEDS NO INTRODUCTION (primeira temporada)

ONDE: Netflix

QUANDO: episódios mensais; o primeiro já está disponível

COTAÇÃO: ★★★★ (ótimo)

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Conflitos pessoais e deveres da realeza prendem a atenção em "The Crown"

A realeza britânica sempre despertou a curiosidade de muita gente, especialmente em relação ao dia a dia da família real, que sempre buscou uma imagem pública de força e perfeição. Depois de mostrar a ascensão da rainha Elizabeth II ao trono do Reino Unido, a série "The Crown" volta com uma segunda temporada mais focada na humanidade dos personagens, especialmente em relação à monarca. Alternando conflitos pessoais com os desafios de estar no trono, a produção construiu episódios que prendem a atenção e já fazem dela um dos grandes destaques de 2017.
A série de Peter Morgan começa a segunda temporada em meio a uma crise conjugal entre Elizabeth II (Claire Foy) e o Duque de Edimburgo (Matt Smith), que viaja para uma turnê pelo mundo. Além do sentimento de insegurança, a rainha precisa lidar com as reclamações constantes do marido, sempre incomodado por estar "à sombra" da monarca. Isso faz com que o Duque reivindique uma participação mais ativa na vida pública do reino, mesmo com ele não abrindo mão de criar alguns problemas para o Palácio de Buckingham.
Além de lidar com a vaidade do marido da rainha, outros problemas também rondam a família real. Um deles está relacionado ao tio de Elizabeth II, o Duque de Windsor (Alex Jennings), que decide sair do "exílio" para reivindicar uma participação no reinado. A volta do rei que abdicou do trono traz à tona segredos do passado que poderiam comprometer a monarquia britânica. A vida amorosa da princesa Margaret (Vanessa Kirby) e, depois, a decisão da irmã da rainha em se casar com o fotógrafo Tony Armstrong-Jones (Matthew Goode), que tem hábitos mais modernos e livres do que a realeza, também rendem bons conflitos na temporada.
No campo político, a rainha também se vê diante de uma série de desafios, a começar pela invasão do Canal de Suez, que rende uma marcante derrota política para o primeiro-ministro Anthony Eden (Jeremy Northam), que busca sair da sombra deixada por Winston Churchill (John Lithgow). A crise faz com que Harold McMillan (Anton Lesser) assuma o cargo, mas, depois de um período de calmaria, os problemas com o primeiro-ministro também voltam a bater à porta do palácio.
Elizabeth II também convive com conflitos relacionados a imagem dela diante do reino e do mundo.
A figura da rainha enfrenta um duro golpe quando um jornalista decide expor opiniões sobre o comportamento da monarca diante dos súditos, o que resulta em profundas mudanças para a modernização da postural real diante do povo. A rainha também é colocada no centro de negociações internacionais, que envolvem os Estados Unidos e a presença da primeira-dama norte-americana Jackie Kennedy (Jodi Balfour).
"The Crown" tem, como melhor característica, o texto primoroso. Nada didático, o roteiro é formado por diálogos marcantes e costurado por acontecimentos históricos muito interessantes. Os conflitos pessoais e "profissionais" da rainha são muito bem desenvolvidos e constroem uma personalidade complexa e instigante da monarca. A temporada é estruturada por vários episódios importantes, entre eles, o do encontro entre Elizabeth II e Jackie Kennedy; o das críticas da imprensa sobre a família real; e o que mostra a escolha da escola do príncipe Charles.
A produção da série continua impecável, mostrando uma preocupação rigorosa com a ambientação de época. O cuidado dos atores e da direção em retratar a família real também merece destaque. O elenco, aliás, é muito coeso e não há espaço para atuações fora do tom da série. Claire Foy, Matt Smith, Alex Jennings, Matthew Goode e Vanessa Kirby estão entre os melhores desempenhos.
Melhor do que a primeira, a segunda temporada de "The Crown" apostou em um roteiro de muita qualidade para retratar os conflitos pessoais da rainha Elizabeth II, impactada, também, pelos chamados aos deveres da realeza. Isso resultou, e não poderia ser diferente, em uma das grandes séries de 2017. Que venham mais temporadas como essa!

THE CROWN (segunda temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★★★ (ótima)

sábado, 2 de dezembro de 2017

Cinco motivos para rever "Celebridade" no Vale a Pena Ver de Novo

Não importa o tempo, a busca pela fama continua sendo uma questão em qualquer sociedade. Se antes, buscava-se o reconhecimento de capas de revistas, hoje o que se almeja é ser famoso na internet. Por conta disso, a volta de "Celebridade" ao "Vale a Pena Ver de Novo", a partir de segunda-feira (4), pode ressuscitar boas e, até mesmo, engraçadas discussões sobre o tema.
Escrita por Gilberto Braga, a novela, levada ao ar entre 2003 e 2004, discute a busca excessiva pela fama, mesmo que em tempos onde as redes sociais ainda não tinham influência e as personalidades da web ainda não eram tão relevantes. Ainda que datada nesse aspecto, o folhetim ainda se mostra atual se pensarmos na relevância da discussão na busca das pessoas em se tornarem "célebres", algumas vezes a qualquer custo e sem méritos.
Mas, "Celebridade" não é só um bom folhetim que retrata e até satiriza a busca pela fama. Considerada um sucesso do horário, a trama foi uma das últimas do autor a realmente empolgar, com ótimos ingredientes para prender o espectador.
É claro que, uma novela como essa, transferida para o horário vespertino, deve passar por cortes para se adequar à classificação indicativa, o que pode descaracterizar a obra de certa forma. Mesmo assim, ainda há, pelo menos, cinco bons motivos para acompanhar "Celebridade" em 2017. São eles:

1) MARIA CLARA x LAURA

Em tempos de conflitos menos empolgantes entre mocinhas e vilãs, a reprise de "Celebridade" vai resgatar o embate entre a produtora Maria Clara Diniz (Malu Mader) e a "cachorra" Laura (Cláudia Abreu). Inspirados na relação de Bette Davis e Anne Baxter no clássico filme "A Malvada", os problemas entre as personagens começam com a ambição de Laura de viver a vida de fama e sucesso de Maria Clara. O conflito ganha novos contornos quando descobre-se que o título de "Musa do Verão", que tornou a mocinha célebre, na verdade, deveria ter sido da mãe de Laura, a verdadeira musa de uma música roubada pelo empresário Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana). Entre os pontos altos da relação das duas, estão as cenas em que Laura adquire os bens de uma falida Maria Clara e o clássico acerto de contas da mocinha, que dá uma surra na vilã no banheiro de um evento.

2) ESPAÇO MUSICAL E TRILHA SONORA

Gilberto Braga já disse, em entrevistas, que escreve pensando em músicas e dá palpites nas trilhas sonoras de suas novelas. Além de todas as características, "Celebridade" é uma novela musical, que usa o pano de fundo do show business para promover shows e ótimas participações especiais de músicos e cantores. As funções de produtoras de eventos de Maria Clara e Laura, além da presença de uma casa de shows na trama, fizeram com que a novela transformasse, muitas vezes, capítulos em pretextos para ouvir boa música. Além disso, as cenas ainda contam com uma trilha sonora formada por nomes como Maria Bethânia, Rita Lee, Chico Buarque, Gilberto Gil, Simply Red, Rolling Band e Ray Charles.
3) QUEM MATOU?

Mistério recorrente da teledramaturgia brasileira, o tradicional "Quem Matou?" conseguiu mobilizar o público na época, que aguardou ansioso para saber quem tinha matado o empresário Lineu Vasconcelos. A revelação do assassino, apesar de não ter envolvido nenhum personagem surpreendente, mostrou-se muito coerente com a história. A morte de Lineu, desvendada apenas no último capítulo, foi um dos últimos, se não o último, mistério do gênero que conseguiu mobilizar o público, depois exposto à exaustão a essa fórmula. Percebam que, apesar de não ser segredo, não revelei o nome do assassino, afinal, estamos na era dos spoilers e não quero ser eu o estraga-prazeres.

4) DARLENE E JAQUELINE JOY

As personagens de Deborah Secco e Juliana Paes eram os alívios cômicos do tradicional conflito entre mocinha e vilã. Mesmo assim, as duas representaram as melhores sátiras sobre a busca pela fama a qualquer custo. Darlene Sampaio e Jaqueline Joy serviam para retratar o desejo desenfreado por aparecer na televisão e ser capa de revista. Hoje, elas estariam disputando as atenções de internautas, brigando por curtidas nas redes sociais e expondo as vidas ao máximo. Mesmo em um "mundo" diferente, Darlene e Jaqueline devem encontrar, agora, espelhos na sociedade.

5) VILÕES

Apesar dos protagonistas, são os vilões que conduzem todas as ações de um folhetim e fazem a trama caminhar. Nesse sentido, "Celebridade" é um prato cheio. Laura, a vilã-mor, fez jus às funções e acabou ganhando lugar cativo entre os grandes personagens do gênero da televisão brasileira. Além dos conflitos com Maria Clara, ela ainda se destacou no embate com outro vilão: Renato Mendes (Fábio Assunção). Em determinado momento, Laura e Renato se casam e passam a tentar destruir um ao outro, o que rendeu bons momentos ao folhetim. Além deles, ainda há o "michê" Marcos (Márcio Garcia), parceiro de Laura em armações; e Ana Paula (Ana Beatriz Nogueira), a ambiciosa irmã de Maria Clara, que, até de forma cômica, tenta levar vantagem com o sucesso da produtora.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Séries boas de ouvir: Scandal


A ideia inicial de um texto sobre as trilhas sonoras, cada vez mais caprichadas das séries, surgiu de uma consulta ao Shazam, aplicativo de smartphone que permite a identificação de músicas. Os momentos em que mais uso o Shazam acontecem quando estou assistindo séries e, em uma olhada rápida no aplicativo, percebi que 90% das canções identificadas tinham a ver com produções televisivas.
À princípio, a intenção era listar cinco séries que têm trilha sonoras ótimas e que conversam com as tramas apresentadas. De cada uma delas, iria separar uma música marcante da produção e destacá-la no texto. Mas, confesso que fracassei nesse objetivo pela simples incapacidade de separar apenas uma música marcante. Diante disso, a ideia mudou e resolvi fazer uma lista (não resisto a elas) com cinco canções importantes de cada uma das séries que tinha separado.
A primeira delas é, e não poderia deixar de ser, "Scandal", série que, em certa medida, também influenciou essa postagem. A trilha sonora da atração de Shonda Rhimes é uma das melhores da televisão, com músicas fortes e muito bem escolhidas para o contexto da trama. Blues, Jazz, Soul e Pop são os ritmos que predominam na história de Olivia Pope (Kerry Washington), que busca solucionar os maiores problemas da capital dos Estados Unidos.
Stevie Wonder e Nina Simone são figuras fáceis na trilha de "Scandal" e ajudam a pontuar momentos importantes da série. Nina Simone, por exemplo, surge cantando "I Shall Be Released" no episódio "The Lawn Chair", da quarta temporada, um dos melhores e mais bem construídos capítulos da saga de Olivia Pope, além de trazer uma fundamental discussão sobre aos negros pela polícia norte-americana.
Abaixo, então, cinco músicas marcantes na trilha sonora de "Scandal":

1) SUNNY - BOBBY HEBB

A quarta temporada de "Scandal" começa com um mar azul impecável, uma ilha paradisíaca ao fundo e a música marcante de Bobby Hebb, perfeita para o momento vivido por Olivia Pope, que fugiu da vida atribulada em Washington e até assumiu um novo nome. "Sunny" mostra o desejo da protagonista de aproveitar um outro estilo de vida. Mas, o sossego dura pouco e ela é logo chamada a voltar ao mundo político da capital.



2) I SHALL BE RELEASED - NINA SIMONE

Não há qualquer exagero na chamada do episódio "The Lawn Chair", da quarta temporada de "Scandal": com certeza, é um dos episódios mais poderosos da série. Bem construída e emocionante, a trama mostra Olivia Pope se envolvendo no caso de um pai que impede que a polícia mova o corpo do filho dele, um jovem negro acusado de um crime. Um conflito a princípio local acaba chegando à Casa Branca e, também, revela o racismo de policiais brancos que cuidaram do caso.



3) DON´T WORRY ´BOUT A THING - STEVIE WONDER

Stevie Wonder é quase o rei da trilha sonora de "Scandal", com diversas músicas marcantes na série. Dentre elas, um destaque é "Don´t Worry ´Bout A Thing", tocada em um momento de dois extremos da série. Também na quarta temporada, Olivia usa a canção para ter um pouco de descontração e mostrar que, acima dos problemas amorosos, ela escolhe a si mesma. Essa alegria dura pouco, pois, ainda com a música de Stevie Wonder ao fundo, a protagonista é sequestrada, vítima de uma conspiração entre terroristas e o vice-presidente norte-americano.



4) NOTHING CAN CHANGE THIS LOVE - SAM COOKE

Logo no primeiro episódio, quando a trama de "Scandal" começou a ser apresentada, lá estava "Nothing Can Change This Love", de Sam Cooke. A música, com certeza, ajudou a construir a identidade da trilha sonora da produção, sempre em sintonia com a trama. A canção ainda reflete bastante sobre o lado sentimental da série, mais especificamente do amor entre Olivia e o presidente Fitzgerald Grant (Tony Goldwyn). Afinal, como a música diz: nada pode mudar esse amor.



5) WHAT´S GOING ON - MARVIN GAYE

Marvin Gaye também é presença constante na trilha sonora de "Scandal". "What´s Going On" não representa necessariamente um momento marcante da série, mas é daquelas canções bem colocadas no contexto da trama e que, de cara, chamam atenção. Bem inserida da atração, a música ajuda a construir a coerência da trilha sonora da série, que ajuda a contar a história da influência de Olivia Pope em Washington.

domingo, 5 de novembro de 2017

"House of Cards" e outras cinco séries que perderam os protagonistas

Os últimos dias foram de turbulência para a produção de "House of Cards", um dos maiores sucessos do serviço de streaming Netflix. Em meio às acusações de assédio envolvendo Kevin Spacey, o protagonista da série, foi anunciado que a sexta e última temporada, que já estaria sendo executada, seria a última da atração. Mais acusações contra Spacey surgiram na imprensa e, exatamente um dia depois da notícia, uma nova decisão foi anunciada: a produção da última temporada de "House of Cards" estava suspensa por tempo indeterminado.
O futuro da série ficou selado alguns dias depois, quando o serviço de streaming anunciou que Spacey não fazia mais parte do elenco e que todos os projetos com o ator, inclusive um filme em pós-produção, tinham sido cancelados. Com a decisão, discute-se, agora, o futuro da atração, que pode ter a morte de Frank Underwood e a centralização das atenções na esposa do personagem, Claire (Robin Wright), como soluções para a continuidade da série.
Mas, "House of Cards" não é a única produção a ter perdido um protagonista e continuar sendo exibida, se isso vier a ser decidido pelos executivos do Netflix. Outras atrações da televisão também já tiveram que lidar com esse problema.

SÉRIES QUE PERDERAM PROTAGONISTAS

1) ONCE UPON A TIME

Enquanto a sexta temporada estava sendo levada ao ar, a atriz Jennifer Morrison anunciou que deixaria o elenco de "Once Upon a Time". Como toda a trama girava em torno da personagem Emma, a salvadora de personagens de contos de fada presos em maldições, começaram as especulações sobre o futuro da série. O anúncio da atriz também provocou uma debandada do elenco regular da série e, após a decisão de continuar com a atração, os executivos revelaram que apenas três personagens seguiriam na história. Com os primeiros episódios da sétima temporada exibidos, já é possível dizer que a continuidade após as saídas não foi nada boa.

2) GREY´S ANATOMY

 No ar há 14 anos, "Grey´s Anatomy" é uma série de idas e vindas, com saídas constantes de personagens importantes e a chegada de outros. A atração, no entanto, enfrentou o maior "baque" de todos com o anúncio da saída de Patrick Dempsey, o protagonista masculino da trama. Querendo se dedicar a novos trabalhos, o ator virou uma vítima da criatividade de Shonda Rhimes, que matou o personagem na 11ª. temporada. Curiosamente, o fim do personagem resultou em um novo fôlego para a produção, que ganhou novas possibilidades para o desenvolvimento de Meredith (Ellen Pompeo).

3) TWO AND A HALF MEN

Uma briga feia com o produtor Chuck Lorre fez com que o ator Charlie Sheen deixasse o elenco da comédia "Two and a Half Men". Executivos e produtores, no entanto, decidiram continuar com a atração e trouxeram Ashton Kutcher para ser o novo protagonista. Depois de um primeiro episódio hilário, que tirava sarro da saída de Sheen e revelava a morte do protagonista, "Two and a Half Men" foi "ladeira abaixo" e, apesar de continuar por algum tempo, perdeu totalmente o sentido e a qualidade.

4) THE OFFICE

Tudo ia bem e a versão norte-americana de "The Office" era aclamada como uma das melhores séries de comédia que estavam no ar. A paz só durou, no entanto, até o anúncio da saída de Steve Carell, que decidiu se dedicar a outros trabalhos. Com o desaparecimento de Michael Scott, protagonista por sete temporadas, os produtores até tentaram outras alternativas, como colocar James Spader como figura central da trama ou dar mais destaque aos coadjuvantes que já existiam, mas as empreitadas nunca funcionaram. Resultado final: "The Office" foi extinta duas temporadas depois.

5) DOWNTON ABBEY

Série que tinha como pano de fundo as mudanças na aristocracia britânica a partir de 1912, "Downton Abbey" contava a história de toda uma família e seus empregados. Apesar de ter vários personagens centrais, a série teve que enfrentar as consequências da saída de Dan Stevens, herdeiro dos aristocratas e figura essencial para as mudanças no estilo de vida da família. Com a decisão do ator de se dedicar a uma carreira nos Estados Unidos, o personagem foi morto na terceira temporada. A série, no entanto, conseguiu driblar o problema e continuou por mais três anos.

domingo, 29 de outubro de 2017

"Stranger Things" volta com segunda temporada grandiosa e divertida


Diversão. Essa é a palavra que define e justifica a existência de "Stranger Things", uma das séries mais populares do catálogo do serviço de streaming Netflix. Despretensiosa desde o início, a trama das crianças que entram em contato com criaturas de um universo misterioso parece ter como proposta fundamental o entretenimento do espectador. E, se a diversão era o objetivo, ele foi atingido com louvor na segunda temporada da produção, lançada na sexta-feira (27).
Após o primeiro contato com o Mundo Invertido e a volta de Will (Noah Schnapp), os novos episódios da série focam na vida dos personagens um ano depois, quando a vida dos moradores de Hawkings começa a voltar ao normal. Pelo menos, era nisso que eles acreditavam. A tranquilidade começa a sumir quando Will passa a sentir e ter visões com o Mundo Invertido, além de mostrar uma conexão com uma criatura misteriosa.
Despertando a preocupação da mãe, Joyce (Winona Ryder), Will é levado para acompanhamento no laboratório da cidade, origem de todos os acontecimentos incomuns na região. Só que os episódios de contato com o Mundo Invertido e a criatura passam a ficar mais constantes, relevando, assim, a ameaça da segunda temporada. 
Paralelo a isso, Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) também entrar em contato com uma criatura, semelhante ao Demagorgon da primeira temporada, que contribui com pistas sobre os novos mistérios que rondam Hawkings. Com a ajuda de Max (Sadie Sink), a garota nova da escola, o grupo procura entender qual o objetivo da nova ameaça, que parece estar se encaminhando para a cidade e matando tudo ao redor.
Os novos episódios também procuram focar na jornada de Eleven (Millie Bobby Brown) em busca de autoconhecimento. Escondida pelo delegado Jim Hooper (David Harbour), a jovem passa os dias presa em uma cabana. Construindo uma relação de afeto e conflito com o delegado, Eleven parte em busca de respostas sobre sua origem, que podem ajudá-la a entender mais sobre a vida e os amigos que ganhou.
Na segunda temporada, "Stranger Things" resgata as características que a tornaram um sucesso, mas, também, evolui em alguns aspectos. O primeiro deles é o roteiro, que, mesmo mantendo as referências clássicas dos anos 80, se "liberta" delas e conduz a trama com mais autonomia. O enredo surge mais grandioso e bem amarrado, o que conduz os acontecimentos para um desfecho satisfatório.
Além do mistério em relação à nova ameaça, o roteiro também acerta na construção de histórias paralelas importantes, como a relação paternal entre Hooper e Eleven e os conflitos envolvendo o triângulo Lucas, Max e Dustin. A adição de novos personagens, aliás, mesmo que para fins óbvios, trouxe um novo vigor para a série. A trajetória pessoal de Eleven, de uma modo geral, também se mostrou um ponto importante para a trama.
Diante dessas qualidades, cabe uma crítica, que, é bem verdade, pouco influencia no resultado final: algumas soluções do roteiro, apesar de inegavelmente eficientes, se mostram muito óbvias como a tentativa de Eleven em arrastar um vagão de trem, quando conhece a "irmã" de laboratório, habilidade que seria testada mais adiante; ou o laço afetivo entre Dustin e Dart, o "mini" Demagorgon encontrado na lata do lixo.
O elenco continua sendo um grande acerto da série, com destaques para Winona Ryder, David Harbour, Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo e Sadie Sink. Coadjuvantes inseridos na segunda temporada, como Bob (Sean Astin), o namorado e Joyce; e Erica (Priah Ferguson), a irmã de Lucas, rendem bons momentos aos episódios.
Mantendo-se, de certa forma, despretensiosa, a segunda temporada de "Stranger Things" acrescenta uma trama mais elaborada e resulta em um ótimo entretenimento, que mistura elementos de terror e aventura, embalados por uma trilha sonora impecável. Para o terceiro ano, só é possível desejar que continue assim: divertida.

STRANGER THINGS (segunda temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★★★ (ótima)