quarta-feira, 26 de abril de 2017

"Bates Motel" chega ao fim respeitando "Psicose", mas indo muito além da trama original


Não havia muitos segredos, já que a trama do filme e do livro "Psicose" é uma das mais conhecidas da história do entretenimento. Isso complicava ainda mais a tarefa de recriar esse universo, mas, agora que já foi encerrada, é possível dizer que "Bates Motel", série que funcionava como um prelúdio da original, cumpriu com louvor a tarefa dada. Mais do que isso, sempre com respeito à história-base, a produção soube caminhar com as próprias pernas e ir muito além do mostrado anteriormente.
Na quinta e última temporada da série, que terminou na última segunda-feira (24), finalmente os espectadores viram a história chegar aos fatos retratados da obra literária e no clássico de Alfred Hitchcock. Depois da morte de Norma (Vera Farmiga), Norman (Freddie Highmore) se isola, cada vez mais, em seu casarão e, por conta de seus problemas mentais, passa os dias acreditando ainda estar na presença da mãe.
Solitário, Norman conhece Madeleine (Isabelle McNally), a dona de uma loja na cidade. Casada com Sam (Austin Nichols), a jovem também sofre por estar sempre sozinha, por conta das viagens do marido, e também se empolga com a amizade do dono do Bates Motel. Mas, Norman, na verdade, se sente atraído por ela por conta da semelhança física com Norma, o que faz com que a outra metade de sua personalidade se sinta ameaçada.
Ao receber Marion Crane (Rihanna) como hóspede em seu motel, Norman descobre que ela é amante de Sam e a história chega, então, à clássica "cena do chuveiro". Ao contrário da versão original, no entanto, Marion se salva. A vítima da vez é Sam, que não escapa de Noman enquanto tomava banho no quarto da amante.
O fim da temporada também mostrou o ápice da loucura de Norman, com momentos mais constantes de perda de consciência do personagem. Acreditando ser Norma, o jovem tenta se livrar da prisão, por conta de uma série de assassinatos cometidos, e ainda enfrenta o espírito de vingança de Alex Romero (Nestor Carbonell), que foge da cadeia para fazer Norman pagar pela morte de Norma. 
No fim, em um "encontro" familiar, Norman acaba sendo morto pelo irmão, Dylan (Max Thieriot), que tenta se defender de um ataque assassino do protagonista. A morte, ali, representa o desfecho ideal para ele, que, finalmente, pode "estar" no mesmo lugar que Norma.
Sem períodos de menor interesse, pode-se dizer que "Bates Motel" sempre se mostrou interessante e nunca criou "barrigas" ou momentos desconexos do contexto original. O bom roteiro construiu temporadas bem amarradas, que souberam abrir caminho para os aguardados momentos retratados no livro e no filme originais. Na difícil tarefa de contar novamente uma história já bem conhecida, a série não fez feio e soube respeitar as coerências do que já existia, mas, ao mesmo tempo, não se furtou em criar novos momentos e desfechos para a trama.
O mais interessante foi a construção do relacionamento entre Norman e Norma, explorado com sutileza e, ao mesmo tempo, muito impacto pelo roteiro. A série mostrou a proteção da mãe em relação ao filho com problemas mentais, mas, em paralelo, como ambos se "alimentavam" de uma forma doentia daquele tipo de relação, que culminou na morte de Norma e nos momentos em que Norman assumia a personalidade dela.
Vale destacar os trabalhos excepcionais de Vera Farmiga e Freddie Highmore, que souberam explorar muito bem as personalidades complexas dos personagens centrais. Ambos demonstraram força e fragilidade na medida certa, além de terem conseguido transmitir a relação de dependência e amor que mãe e filho nutriam.
Por fim, é preciso dizer que "Bates Motel" não se deixou seduzir pelo lado mais fácil da adaptação e utilizou apenas ideias já existentes para construir uma trama própria. A clássica cena do chuveiro, por exemplo, nem de longe pareceu uma cópia barata da original. Com uma outras atmosfera de suspensa construída, o momento em que Norman esfaqueia sua vítima foi mais realista e nem mesmo utilizou recursos sonoros que lembrassem da morte de Marion Crane na versão de Hitchcock. Ponto para a coragem dos roteiristas, produtores e diretores da série.
"Bates Motel" terminou sua trajetória na TV com um saldo dos mais positivos. Foi uma série que, com inteligência, aproveitou o melhor de uma trama conhecida e, indo mais além, soube impor personalidade própria e desenvolver mais o desfecho de clássicos personagens. Para quem não acompanhou durante esses cinco anos, vale, agora, com certeza, fazer uma maratona.

BATES MOTEL (quinta e última temporada)

ONDE: A&E (Estados Unidos); ainda sem data de lançamento no Brasil

COTAÇÃO: ótima

segunda-feira, 17 de abril de 2017

"13 Reasons Why" aborda temas necessários, mas escorrega no desenvolvimento da trama

É compreensível o barulho feito pelo mais recente lançamento do Netflix no mundo das séries, o drama adolescente "13 Reasons Why". A história, que foca em temas como bullying e suicídio, é universal e ganha eco em centenas de outros jovens, que vivem ou viveram problemas semelhantes. Esse é, sem sombra de dúvidas, o grande mérito da atração. Há, no entanto, alguns problemas no andamento da trama, que impedem que a produção seja avassaladora.
Baseada no livro "Os Treze Porquês", escrito por Jay Asher, a primeira temporada é contada do ponto de vista de Hannah (Katherine Langford), uma adolescente que decide cometer suicídio. Algum tempo depois, Clay (Dylan Minnette) recebe sete fitas cassetes com gravações da garota, que explicam os motivos para ela ter tomado tal decisão. Cada lado das fitas é dedicado a uma pessoa, que ela responsabiliza pelo acontecido.
Junto com as fitas, Hannah deixa instruções para que os citados nas gravações cuidem para que as fitas sejam passadas para os outros. Ela também orienta que aquelas pessoas sigam um mapa e visitem locais que ajudariam a entender melhor a situação. A garota ainda se certifica de que os citados não possam ignorar ou se desfazer da fitas e, por conta disso, Clay passa a ser seguido por Tony (Christian Navarro), que prometeu guardar os segredos de Hannah.
Os relatos da adolescente mexem muito com Clay, que começa a pressionar os outros citados a revelar o conteúdo das fitas. Nessa jornada, o garoto acaba se colocando no lugar da amiga em muitas situações e entra em contato com diversos dramas comuns aos adolescentes, como bullying, assédio, descoberta da sexualidade e, até mesmo, estupro. Vou parando por aqui para evitar qualquer spoiler sobre a série.
Como já dito, a grande qualidade de "13 Reasons Why" é a proposta de discutir temas necessários e muito sérios, comuns a uma quantidade absurda de jovens no mundo todo. Sem qualquer didatismo ou julgamento, a série acaba prestando um serviço importante a outros que, por ventura, estejam na mesma situação. Assuntos como suicídio e estupro, apesar de pesados, são tratados com muita nobreza e sem exageros, através de cenas impactantes e, ao mesmo tempo, bastante delicadas.
A série, no entanto, se enfraquece em três pontos fundamentais. O primeiro é a construção dos episódios, que se mostram arrastados e repetitivos ao longo da temporada. Os capítulos, de cerca de uma hora cada, claramente poderiam ser mais enxutos e objetivos, mas, para criar esse "padrão", são utilizadas muitas situações repetitivas, que criam "barrigas" na história. É bem verdade que os capítulos finais melhoram nesse aspecto, porém, mesmo assim, é um ponto fraco para o desenvolvimento da série.
Outra característica que enfraquece "13 Reasons Why" e, particularmente, me incomoda muito é a escolha da trama em criar uma conspiração contra Clay, que passa a buscar, de alguma forma, fazer justiça por Hannah. As sequências elaboradas para mostrar os demais adolescentes citados nas fitas contra o protagonista, executando planos para fazê-lo desistir de entregar a todos, parecem irreais e dão um tom quase que de "Malhação" à história.
Por fim, faz falta, em alguns momentos, que os temas e personalidades dos personagens ganhem abordagens mais profundas. O roteiro parece ir até certo ponto, mas acaba recuando quando aparecem novos caminhos para mostrar como aqueles dramas afetam os adolescentes.
O elenco, especialmente os jovens, em quem se concentram os grandes momentos da série, é bastante coeso e contribuí positivamente para a produção. Os destaques ficam com Katherine Langford, Dylan Minnette, Miles Heizer, Brandon Flynn, Alisha Boe e Michele Selene Ang. Entre os adultos, quem se sobressai é Kate Walsh, que vive a mãe de Hannah e é responsável por momentos delicados da série.
Pesando prós e contras, "13 Reasons Why" não chega a ser uma série ruim, especialmente pela relevância dos temas abordados e discussões provocadas. Mesmo assim, fica a impressão que ela poderia ter ido ainda mais além se os erros no desenvolvido da trama tivessem sido sanados a tempo. Caso haja uma segunda temporada, como fica sinalizado, esses pontos fracos, com certeza, precisam receber atenção redobrada.

13 REASONS WHY (primeira temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: regular

domingo, 9 de abril de 2017

Trama arrastada e ausência de personalidade fazem de "Punho de Ferro" o escorregão da Marvel


Até aqui, no cinema e na televisão, a Marvel mostrou uma invejável capacidade de construções de universos e histórias entrelaçadas. Falando especificamente da TV, depois de "Demolidor", "Jessica Jones" e "Luke Cage", chegou a vez de introduzir o "Punho de Ferro", o último dos "Defensores", série que estreia ainda este ano no Netflix. Mas, ao contrário dos outros lançamentos, a nova empreitada ficou marcada pelo primeiro "escorregão" desse universo.
A trama de "Punho de Ferro" começa com a volta de Danny Rand (Finn Jones), que, quando criança, foi dado como morto após um acidente aéreo no Himalaia. Com os pais mortos, o garoto é salvo por monges e é levado para K´un-Lun, um lugar místico onde ele aprende artes marciais e recebe os poderes do Punho de Ferro. Com suas novas habilidades, ele deve proteger K´un-Lun do grupo criminoso O Tentáculo, que também aparece em outras tramas da Marvel no serviço de streaming.
Aproveitando-se de uma passagem, que se abre esporadicamente, Danny deixa K´un-Lun e parte de volta para Nova York, para descobrir os responsáveis pela morte de seus pais e retomar o relacionamento com pessoas do seu passado, como Ward (Tom Pelphrey) e Joy (Jessica Stroup) Meachum, filhos de Harold (David Wenham), o sócio do pai do protagonista.
Depois de chegar e ameaçar a condução dos negócios na empresa da família, Danny descobre que O Tentáculo está infiltrado em seus negócios e forçou Harold a ser dado como morto. Ele, então, decide usar seus poderes de "Punho de Ferro" para derrotar o grupo criminoso e se vingar pela morte dos pais. Para isso, ele é ajudado por Colleen (Jessica Henwick), a sensei de um dojo local, e Claire (Rosario Dawson), a enfermeira presente em todas as histórias do universo Marvel na TV.
O primeiro problema detectável em "Punho de Ferro" é a ausência de personalidade da série. Estética ou musicalmente, "Demolidor", "Jessica Jones" e "Luke Cage" souberam construir as identidades de cada um dos personagens. Cada série tem sua paleta de cores, seu ritmo narrativo, ambientação específica e uma trilha sonora condizente com a trama. Agora, no entanto, o último defensor não se destaca por nenhuma dessas qualidades. Essa falta de conceito enfraquece a introdução desse quarto elemento que, com isso, acaba parecendo ser o elo menos importante de todos.
Outro ponto fraco é a construção do roteiro. Não sou especialista em Marvel ou leitor dos quadrinhos, mas, ao que parece, "Punho de Ferro" parece ser uma história de forte apelo místico, sobre habilidades extraordinárias conseguidas através de técnicas milenares, mas os roteiristas parecem ter escolhido ignorar essa premissa. A série flerta com esse lado várias vezes e até chega a mencioná-lo nos discursos, mas, em seguida, opta-se por deixar "os pés no chão" e conferir a ela um apelo mais "realista", uma escolha errada considerando o fato de que esse viés poderia ser a personalidade que faltou à produção.
Há problemas, ainda, com o andamento dos episódios, que, apesar de aceitáveis, começam mornos e encontram um desenvolvimento bastante arrastado no meio da temporada, que melhora quando está perto do fim. Algumas reviravoltas da trama são mal aproveitadas e acabam parecendo desfechos de últimos capítulos de algumas novelas brasileiras, que acontecem apenas por estarem perto do fim. Também não considero um acerto o desenvolvimento da história d´O Tentáculo, que bem introduzida em "Demolidor", perde força e beira à banalidade.
De bom, posso pontuar o elenco, que cumpre bem o papel dado, e o desenvolvimento de alguns personagens, como Madame Gao (Wai Ching Ho), já vista em "Demolidor", mas que ganha um espaço maior e não faz por menos. É, para o Punho de Ferro, uma antagonista mais interessante que Bakuto (Ramon Rodriguez), outro representante d´O Tentáculo, mas mal inserido no contexto.
Diante desses problemas, fica nítido perceber a diferença entre "Punho de Ferro" e as outras séries do universo Marvel. Sem personalidade e com um roteiro falho, a série acabou se mostrando a base mais enfraquecida para a construção de "Os Defensores". É um escorregão, mas que, dado o histórico, ainda representa, no máximo, uma "torção" no caminhar da Marvel na televisão. Nada que uns reparos não resolvam.

PUNHO DE FERRO (primeira temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: regular

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

"How To Get Away With Murder" mostra renovação em enredo aparentemente limitado

Me lembro que, depois da estreia e do êxito da primeira temporada de "How To Get Away With Murder", me perguntei como aquilo ia continuar por mais tempo, já que, aparentemente, tratava-se de um enredo com prazo validade curto e definido. Eis que a série conclui a terceira temporada e, com a criatividade dos roteiristas só aumentando, foram encontradas ramificações na história, que a fizeram crescer em interesse e aproveitamento dos personagens.
O grande gancho do terceiro ano da atração, que terminou na quinta-feira (23), foi a morte de um importante personagem do núcleo central. Na pausa de episódios inéditos da temporada, conhecida nos Estados Unidos como "winter finale", o espectador descobriu que a vítima era Wes (Alfred Enoch), principal elo de ligação de Annalise (Viola Davis) com acontecimentos do passado. Morto dentro da casa da advogada, que foi incendiada em seguida, ela se torna a principal suspeita do crime.
Tentando provar que é vítima de uma conspiração da Promotoria, Annalise chega aos momentos finais da temporada tentando proteger os alunos e, ainda assim, tentando fica livre da cadeia. A nova chance pode ser uma revelação de Connor (Jack Falahee), que foi uma das últimas pessoas a estar com Wes antes do incêndio na casa. Apesar de Annalise não permitir que ele conte sua versão dos acontecimentos para a Promotoria, Connor acaba descobrindo algo que pode elucidar o caso.
Enquanto isso, Laurel (Karla Souza), Michaela (Aja Naomi King) e Asher (Matt McGorry) se juntam para tentar esclarecer os fatos por outra via: os alunos de Annalise vão atrás de Charles Mahoney (Wilson Bethel), cuja família é acusada de conspirar para prejudicar Wes e a advogada.


Utilizando um recurso eficiente e, até certo ponto, corajoso para o enredo, que é a morte de um personagem central, "How To Get Away With Murder" provou que não tomou essa decisão "de graça", apenas para prender o espectador. As reações e os acontecimentos provocados pela morte de Wes mostraram uma decisão coerente, que desencadeou novos caminhos para a narrativa e aspectos interessantes dos personagens, especialmente de Annalise. Os roteiristas continuam demonstrando total controle e habilidade na condução não-linear da trama, que não se perde em nenhum momento, mesmo com as idas e vindas no tempo, e ainda se mostra um "quebra-cabeça" completo nos desfechos.
Apesar de todo o elenco ser bastante coeso, preciso falar (e provavelmente me repetir) sobre Viola Davis, que continua excepcional como a advogada implacável e cheia de nuances. Assombrada pelo passado, a personagem ganha "cores" diferentes a cada nova revelação, que a humanizam cada vez mais. Isso só ganha essa dimensão na tela por conta do imenso talento de Viola, que construiu uma personagem fascinante. Annalise não seria metade do que é sem Viola. Ainda aproveito para destacar mais uma participação de Cicely Tyson, sempre especial como a mãe da protagonista.
Renovada para a quarta temporada, "How To Get Away With Murder" sempre deixa uma ansiedade pelos próximos acontecimentos e, a julgar pelas últimas revelações do terceiro ano, novos e importantes desfechos envolvendo os personagens ainda estão por vir. Além disso, já se tornou impossível que a televisão fique tanto tempo sem a presença de Viola Davis.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Em tempo de atrações vazias, "Amor & Sexo" mostra que pode fazer mais do que entreter


Televisão é essencialmente entretenimento. Seus produtos, como novelas, reality shows e programas de auditório, são pensados para proporcionar diversão aos espectadores que se reúnem na sala. Mas, não precisa ser só isso. Conteúdo e mensagem, sob o pretexto de que não dão audiência, são itens raros, especialmente, nas grades de programação das emissoras de TV aberta. Na última quinta-feira (26), a estreia da nova temporada de "Amor & Sexo" reforçou que pode ser "um ponto fora da curva" e estabelecer discussões e diálogos interessantes com o público.
Já falei sobre o programa comandado por Fernanda Lima em outros textos por aqui e como acho importante que uma atração de TV aberta fale tão livremente sobre temas tão relevantes, mas que ainda são encarados como tabus. A atração já debateu, sem pudores ou preconceitos, sobre orgasmo, identidade de gênero, fetiches e mais uma dezena de assuntos semelhantes. Se não me falha a memória, porém, foi neste primeiro programa da nova temporada que "Amor & Sexo" assumiu um discurso mais incisivo e social.
"Amor & Sexo" decidiu falar sobre feminismo, indo, no entanto, muito além do debate relacionado a igualdade de oportunidades e salários. O programa se debruçou sobre assédio sexual e moral, alguns deles tão banalizados que muitos nem param para pensar que isso está relacionado a uma prática negativa e que subjuga o sexo feminino. Logo no início, a atração, utilizando recursos cênicos e música, discutiu os "simples" rótulos e julgamentos que a sociedade, como um todo, faz em relação às mulheres. 
Você já parou para pensar o que está por trás de xingamentos como "piranha", "piriguete", "vagabunda" e "puta"? Banalizados e usados, muitas vezes, como se fossem vírgulas, o emprego desses adjetivos foi debatido e provocou reflexão ao mais fundo e tentar mostrar que, por trás de uma "simples" palavra, pode estar arraigado um pensamento machista e retrógrado. Além disso, através de uma queima simbólica de sutiãs, a atração jogou na mesa importantes questões relacionadas a padrões de beleza, sexualidade e escolhas das mulheres.
A atração não se contentou só com isso e ainda abordou outras questões importantes, como a posição e as lutas das mulheres negras e homossexuais. Você acha que ainda existe nesse mundo a visão de que uma mulher negra só é um "passatempo" ou um "convite ao sexo"? Pois, você pode ter pensado que isso era uma questão superada, por conta do fim da escravidão e dos "sinhozinhos", mas, a julgar por relatos apresentados no programa, ainda é um comportamento desprezível que precisa ser combatido.
Para coroar tudo, "Amor & Sexo" fez uma homenagem a Elza Soares, uma das maiores vozes da música popular brasileira e, com certeza, do mundo. A presença da cantora continuou o debate sobre preconceito e empoderamento feminino, mas foi além ao lembrar a violência e as agressões sofridas por muitas mulheres. No fim, na voz da cantora, estava a dor de tantas e um grito de "basta" de todas.
Nunca me considerei nem um pouco machista e, mesmo assim, fui levado a muitas reflexões com a estreia da nova temporada de "Amor & Sexo", um programa que assumiu agora, mais do que nunca, um papel importante e mais amplo do que um simples entretenimento da programação noturna da televisão.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

As melhores séries de 2016


Se, por um lado, as novas séries que estrearam, em sua grande maioria, "derraparam na curva" e decepcionaram, em compensação, 2016 foi o ano em que muitas produções, que já estão no ar há algum tempo, atingiram o ápice. Isso não quer dizer, no entanto, que não há novas séries entre as melhores, mas as escolhidas foram aquelas que agregaram novas qualidades ao já fértil universo das séries de TV e, com muitos méritos, fizeram a diferença no ano que vai acabando. Vai, então, às 15 melhores produções do ano.

1) GAME OF THRONES

Já na sexta temporada, "Game of Thrones" teve, em 2016, o seu melhor ano de exibição. A resolução de enredos, o cruzamento de histórias e os ganchos deixados para o futuro renderam momentos memoráveis à produção, que só vai voltar no meio do ano que vem. Sequências como a da vingança de Cersei (Lena Headey), uma das mais marcantes de toda a série, e da batalha de Jon Snow (Kit Harington) foram algumas dos destaques do sexto ano, que pode ser considerado "uma temporada de movimento", em que as tramas, mais do que em outros anos, se encaminharam para uma necessária convergência. A boa qualidade só gera ainda mais expectativa para as duas próximas temporadas, que serão as últimas do universo de George R. R, Martin.

2) WESTWORLD

Apesar de poder ser considerado um ano mais fraco para as novas séries, 2016 teve a sensacional primeira temporada de "Westworld", produção da HBO baseada na obra literária de Michael Crichton e no filme homônimo de 1973. A produção de ficção científica é daquelas que "explode" a cabeça do espectador e que exige total atenção aos detalhes da narrativa, extremamente bem amarrada por sinal. Confesso que, após os dez episódios, tentei procurar por "buracos" no roteiro, mas não lembrei de nenhum. A trama do parque temático que abriga inteligências artificiais, definitivamente, veio para ficar e ainda pode render muitos bons momentos com os ganchos deixados para o segundo ano. O elenco, que tem Ed Harris, Anthony Hopkins e o brasileiro Rodrigo Santoro, é muito coeso e importante para o bom resultado da produção.

3) STRANGER THINGS

O revival dos anos 80 provocado pela estreia de "Stranger Things" foi, também, um dos marcos do universo das séries no ano. Personagens carismáticos, uma história instigante e as inúmeras referências feitas a ícones da cultura pop são alguns dos ingredientes dessa equação muito bem-sucedida. O elenco, infantil e adulto, é ótimo, o roteiro é inteligente, construindo uma história universal, e a trilha sonora é uma "viagem" de volta aos anos 80. Além disso, os oito episódios são ideais para fazer aquela maratona de fim de semana, que sempre possibilita uma visão mais completa do todo.

4) AMERICAN CRIME STORY: PEOPLE VERSUS O. J. SIMPSON

Mostrando, pela primeira vez, um lado mais contido, o autor, produtor e diretor Ryan Murphy mostrou que deixar os exageros, comuns em suas produções, e apostar em uma linguagem, digamos, mais séria, pode surtir um bom resultado. Criada para retratar um crime real diferente a cada temporada, "American Crime Story" acertou muito ao retratar o julgamento do caso do famoso O, J, Simpson, acusado de matar a ex-esposa e um amigo dela nos anos 90. Com um roteiro bem construído, boas atuações (John Travolta e David Schwimmer não estão incluídos aqui) e uma ótima ambientação da época, a série refez os acontecimentos e o julgamento de forma bastante satisfatória. Não à toa, a produção vem ganhando muitos prêmios por aí.

5) JUSTIÇA

A autora Manuela Dias acertou muito com "Justiça", série que, a cada dia da semana em que era exibida, contada histórias de injustiças cometidas contra os personagens centrais e que, em dado momento, se cruzavam, nem que isso acontecesse através de detalhes mínimos. A proposta exigiu um cuidado a mais com o roteiro, que conseguiu cumprir com as expectativas. O fato de não procurar caminhos fáceis e óbvios para conquistar o público foi, talvez, seu maior mérito. Além da ousadia na narrativa, as excelentes atuações de Débora Bloch, Adriana Esteves, Jesuíta Barbosa, Drica Moraes, Jéssica Ellen, Vladimir Brichta, Enrique Diaz, Leandra Leal, Julia Dalavia, Cauã Reymond e Antonio Calloni fez toda a diferença para a produção, que contribuiu para elevar os padrões nacionais do gênero.

6) GILMORE GIRLS: A YEAR IN THE LIFE

Entre todas as séries que formam essa lista, talvez a tarefa mais difícil tenha sido a de "Gilmore Girls: A Year in the Life", que, em quatro episódios especiais, trazia a proposta de resgatar um sucesso antigo e já encerrado há alguns anos. Diante de tal missão, o resultado não poderia ter sido mais satisfatório. Com muita inteligência e humor afiado, características marcantes da série original, a produção criou momentos inspirados e boas narrativas para as mulheres Gilmore. Os bons arcos dramatúrgicos das protagonistas se mostraram bem pensados e a transformação das personagens diante dos olhos do público foi especial para a produção. O resgate de personagens carismáticos e situações inspiradas também ajudaram a resgatar o clima da série original. É daquelas que acabam e, logo em seguida, dá vontade de ver de novo!

7) DEMOLIDOR

Em sua segunda temporada, "Demolidor" atingiu uma maturidade interessante em relação às produções da Marvel para o gênero. Apresentada de forma gradativa e crescente, a narrativa do vigilante de Hell´s Kitchen teve enfoque em aspectos bastante subjetivos dos personagens e, muito bem amarrada, agradou. A introdução do Justiceiro, que deve ganhar série própria, e, até mesmo de Elektra, mal inserida no início, mas mostrando boas nuances ao longo da temporada, pode ser considerada um ponto positivo e deu "outra cara" à narrativa. A série ainda reservou uma volta triunfal a um dos melhores personagens: Wilson Fisk, o Rei do Crime, retorna grandiosamente e, ao que parece, para outros bons momentos na produção.

8) NARCOS

O derradeiro desfecho de Pablo Escobar (Wagner Moura) em "Narcos" ficou enfraquecido neste segundo ano, muito por conta da demora para que a trama engrenasse. Mas, pensando no todo, a perda da força do personagem é até justificável, uma vez que a produção precisa mostrar que pode caminhar após a morte do protagonista. Depois de um começo mais lento, a série engrena e é nesse período que mostrou suas qualidades, o que fez com que tivesse espaço nesse ranking. As sequências de ação, que pontuam o fecho do cerco a Escobar, são alguns dos bons momentos da trama. A ascensão, tímida e precisa, de um novo grupo de traficantes, que vai movimentar a próxima temporada, foi outro bom acerto da produção, que, é bem verdade, não terá uma das tarefas mais fáceis do mundo ao ter que sobreviver sem Escobar.

9) HOW TO GET AWAY WITH MURDER

Se você está atrasado e ainda não descobriu quem é o personagem que está debaixo do lençol do necrotério de "How To Get Away With Murder", sugiro que se apresse em descobrir. Depois de uma boa segunda temporada, inferior, porém, à primeira, a série reforçou suas melhores qualidades e, por enquanto, tem construído um terceiro ano bastante interessante. É impressionante a capacidade de reinvenção dessa produção, que poderia ter se esgotado na primeira temporada, mas soube se manter em boa forma. Nem é preciso dizer que o desempenho de Viola Davis continua excepcional e empresta muita força para a produção.

10) THE GOOD WIFE

O que começa em um tapa na cara, precisa terminar com outro tapa. Esse gesto marcou o fim da transformação da advogada Alicia Florrick (Julianna Margulies) e, mesmo que não tenha agradado a todos, é inegável que o fim de "The Good Wife" foi coerente. A protagonista e suas escolhas a encaminharam em uma mudança de personalidade muito bem construída, talvez um dos arcos dramáticos mais bem elaborados da televisão. O texto especial e o elenco de excelentes atores, como Christine Baranski, foram qualidades marcantes da produção, que terá um spin-off a partir do próximo ano.

11) THE BLACKLIST

Raymond Reddington (James Spader) é, sem dúvida, um dos grandes personagens da televisão atualmente. Roteiro e interpretação se mostram em harmonia para construir as nuances desse carismático criminoso, composto de fragilidade e força em igual proporção. Já na quinta temporada e após muitos desdobramentos, "The Blacklist" ainda mostra força com uma história muito bem amarrada, que lança mão de muitas insinuações para alimentar seu enredo. A aposta em dramas de personagens secundários e, é claro, a caça aos famosos bandidos da lista negra de Reddington, são componentes acertados e ainda férteis para o sucesso da produção, que ainda reserva boas surpresas para a temporada atual.

12) BATES MOTEL

A infância do icônico vilão Norman Bates chegou ao ápice na quarta temporada de "Bates Motel", exibida em 2016. A loucura do protagonista, impecavelmente interpretado por Freddie Highmore, chegou ao ponto máximo e, com isso, houve a conclusão da construção da personalidade vista no livro e no filme "Psicose", trama esta que será resgatada na quinta e última temporada, prevista para o ano que vem. É necessário destacar o desempenho irretocável de Vera Farmiga, que faz Norma Bates, a mãe que alimenta a insanidade do filho. As sequências em que Norman tem "apagões" e assume a personalidade da mãe foram especialmente bem executadas nesta temporada, que desenhou um arco narrativo interessante e que pode trazer novidades em relação ao clássico dos cinemas e da literatura.

13) HOUSE OF CARDS

O casal Claire (Robin Wright) e Frank Underwwod (Kevin Spacey) passou por momentos íntimos difíceis na quarta temporada de "House of Cards" Os problemas entre eles foram são bastante coerentes, afinal, duas personalidades tão ambiciosas e interesseiras, uma hora ou outra, iriam colidir. O embate entre o casal foi o ponto alto da temporada, com destaque para os momentos de rebeldia de Claire, que permitiram uma temporada impecável de Robin Wright. O quarto ano ainda teve o desempenho sempre acima da média de Spacey e uma participação forte de Cicely Tyson. Mas, se já eram forte individualmente, o casal descobriu um ponto de convergência e decidiu apostar todas as suas forças em um conflito que pode mantê-los no poder. O que vai acontecer a partir disso? A resposta só na próxima temporada...

14) LUKE CAGE

O universo Marvel das séries ganhou, em 2016, o representante que faltava. A vida no Harlem do indestrutível Luke Cage (Mike Colter) elevou o patamar das produções do gênero. Construindo uma personalidade distinta de "Demolidor" e "Jessica Jones", a série apresentou um estilo narrativo próprio, personagens bem desenhados e um visual marcante. Nem mesmo o ritmo mais lento dos primeiros episódios consegue enfraquecer a história bem construída e pensada para ter um desfecho satisfatório. As atuações de Colter, Mahershala Ali e Alfre Woodard ajudam a dar o tom da trama, que se tornou mais uma produção imperdível da Marvel.

15) THE CROWN


Quem vê a rainha Elizabeth ocupando o trono da Inglaterra há tanto tempo, não imagina como foi a transição da jovem princesa até o mais alto degrau da monarquia britânica. Os efeitos e o "peso" da coroa podem ser vistos em "The Crown", série que acompanha os primeiros momentos de Elizabeth no trono. O roteiro histórico, muito bem contextualizado, é um destaque positivo da produção, que também explora os aspectos pessoais da vida da rainha, como a frustração de seu marido e os conflitos que a coroa pode trazer em suas relações familiares. A série ainda traz um desempenho excelente de John Lithgow, que vive o primeiro ministro Winston Churchill em seus últimos momentos à frente do governo britânico.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

As piores séries de 2016


2016 já está quase sumindo no horizonte e, como sempre, o desejo de fazer listas para relembrar o que passou é praticamente irresistível. No universo das séries, o ano que termina trouxe poucas novas produções consistentes, que pecaram, geralmente, em seus roteiros fracos e mal desenvolvidos. O resultado disso será, futuramente, que veremos pouca coisa que estreou em 2016 prosperando por muitas temporadas. Algumas, inclusive, não vão sair do ano inicial. Confira agora aquelas que, com muito mais defeitos do que qualidades, não conseguiram se salvar do ranking de piores séries de 2016.

1) CONVICTION

Sabe quando uma boa ideia é praticamente jogada no lixo? Então, esse é o caso de Conviction, que estreou alimentando certa expectativa dos fanáticos pelo mundo das séries. Recém-saída de "Agent Carter", que foi cancelada, Hayley Atwell apostou na protagonista dessa produção que mistura casos policiais com a política em Nova York. O problema é que ela apostou muito errado. A história da mulher que leva uma vida inquieta e é obrigada a participar de um grupo de profissionais que revê os casos de presos que alegam inocência é muito mal desenvolvida. O roteiro raso tenta imprimir certa complexidade na personalidade da protagonista e no relacionamento conturbado entre ela e seus companheiros de trabalho, mas só o que consegue é dar a sensação de que os conflitos estão sendo desperdiçados. A série também erra ao buscar alívios cômicos nos momentos errados, o que prejudica o ritmo da produção. O elenco inexpressivo é outro ponto negativo desse equívoco de 2016, com destaque (negativo, claro) para o trabalho de Hayley, que não conseguiu deixar no ar as sutilezas que a personagem tenta imprimir.

2) 3%

"Você é o criador do seu próprio mérito". Essa frase faz parte do discurso de Ezequiel (João Miguel), o homem que comanda uma seleção de jovens que terão um futuro melhor em um mundo dividido entre aqueles que têm tudo e os que não têm nada. Ao que parece, a primeira produção brasileira no catálogo do Netflix esqueceu completamente desse ensinamento. A ficção científica, proposta nova no mercado nacional, não conseguiu se sustentar ao longo dos oito episódios da primeira temporada. O conceito apresentado pelo roteiro, que traz muitas falhas, diga-se de passagem, não se reflete em imagem e a produção não consegue imprimir a ideia futurística que deseja. A construção da personalidade de alguns dos jovens que buscam uma vida melhor na comunidade "Maralto" não convence em muitos momentos e revela "buracos enormes" no roteiro. As poucas qualidades da produção, como o ótimo desempenho de João Miguel, ficam ofuscadas pelas falhas. Espero que a segunda temporada, já confirmada pelo Netflix, consiga se recuperar.

3) QUEEN OF THE SOUTH

A brasileira Alice Braga foi a escolhida para protagonizar essa adaptação da novela "La Reina del Sur", produzida pela rede Telemundo com foco no público latino. A série acompanha a trajetória de uma mulher que se torna uma poderosa traficante de drogas. A transformação do enredo em seriado não eliminou defeitos que podem ser vistos facilmente em folhetins, como a ausência de sutilezas na construção dos personagens e dos dramas. O resultado se assemelha a um "dramalhão mexicano", no pior sentido da expressão, com um roteiro cheio de exageros. Até mesmo as caracterizações e as cenas de ação são marcadas por esse tom "over". É sofrível de assistir.

4) BULL

Baseada em uma história real, "Bull" é outra série do ano que decepciona... e muito! A trama do advogado especialista na análise de jurados em julgamentos criminosos não empolga desde o primeiro episódio. Além das histórias secundárias mal exploradas e pouco interessantes, a série peca por flertar com a construção de uma personalidade complexa do personagem, que nunca se apresenta de fato. Essa superficialidade enfraquece quase que totalmente a trama da produção, toda focada no protagonista e sem coadjuvantes que possam contribuir com ela. Certamente, não deixará saudade quando sair do ar.

5) THE CATCH

Esta série nasceu com as expectativas de ter sido criada pelos produtores executivos dos sucessos "Grey´s Anatomy", "Scandal" e "How To Get Away With Murder", mas se mostrou de qualidade bastante inferior a elas. "The Catch" traz uma investigadora de fraudes que não consegue enxergar que está sendo enganada pelo próprio noivo, que planeja um grande golpe e usa a companheira para atingir seu objetivo. A trama, que recorre a elementos comuns em outras produções, não engrena nunca e torna a relação "gato e rato" do casal cansativa e pouco atraente. A protagonista, a atriz Mirelle Enos, pouco carismática, em nada ajuda o desenvolvimento da história, que também traz coadjuvantes inexpressivos.

6) LETHAL WEAPON

Adaptação do sucesso cinematográfico "Máquina Mortífera", a série traz Damon Wayans e Clayne Crawford como a nova dupla de policiais pronta para combater o crime. Se ficasse apenas na linha ação, explosões e perseguições, "Lethal Weapon" estaria mais condizente com sua proposta inicial e não estaria aqui. Mas, a série se "aventura" em tentar imprimir alguma complexidade ao drama dos personagens, mas fica pelo meio do caminho e soa apenas superficial. Esse, aliás, parece ser o problema da maioria das séries que estrearam na temporada. Como ação, "Lethal Weapon" não se daria tão mal, mas os criadores escolheram fazer um "papelão" com essa complexidade forjada e o resultado, infelizmente, é esse.

7) MACGYVER

Outra adaptação, desta vez de um sucesso da televisão entre os anos 80 e 90, não rendeu bons momentos em 2016. "MacGyver", a história do agente secreto de uma agência desconhecida, não mostrou ter criatividade para se reinventar. A trama deixa a clara impressão de datada, parada no tempo mesmo, e nem mesmo a tecnologia utilizada pelo personagem deixa o enredo mais moderno. A série ainda é sustentada por histórias bobas e óbvias, repletas de clichês narrativos que não animam nem o mais empolgado dos espectadores, Mais um erro do ano.

8) FEED THE BEAST

A premissa parecia promissora, mas o resultado foi muito fraco e a série já foi cancelada pelo canal norte-americano AMC. Remake de uma série dinamarquesa, a produção norte-americana trouxe David Schwimmer, o eterno Ross de "Friends", no papel de um viúvo que cria o filho após o trauma do atropelamento da esposa. A vida do protagonista é afetada pela chegada de um chef viciado em drogas, que é perseguido pela máfia. Os dois, então, decidem unir suas habilidades para realizar um sonho e abrir um restaurante. Com um desempenho bem abaixo do esperado, o roteiro mostrou ser bastante fraco e sem possibilidade de crescer. Os atores, se não estavam mal, também não contribuíram em nada com a trama, que, antes mesmo da decisão do canal, já parecia ter o fim anunciado.

9) NOTORIOUS

Como já disse anteriormente, e sendo obrigado a me repetir, a superficialidade esteve muito presente em 2016 e, mais uma vez, prejudicou uma boa ideia. "Notorious", série que mostra a relação entre uma produtora de um programa jornalístico e um advogado, que se ajudam em busca de notícias e casos interessantes, não engrenou. Se tivesse uma abordagem mais madura, com certeza, poderia ter um resultado diferente. Mas, as escolhas por subaproveitar o tema no roteiro e recorrer a clichês e até a um mistério desnecessário, fizeram com que a produção ficasse só na promessa. Uma série que, se fosse pensada para a televisão a cabo, poderia ter tido um resultado bem mais interessante.

10) THIS IS US

Queridinha de muitos, "This Is Us" é a história de uma família, contada fora da ordem cronológica, que conseguiu uma inexplicável indicação ao Globo de Ouro. Superestimada, a série, em momento nenhum, mostra que faz jus a isso. O roteiro é morno, traz poucos elementos capazes de aguçar a curiosidade do público e nem mesmo a surpresa final do primeiro episódio é capaz de deixar alguma vontade para acompanhar os próximos capítulos dessa família. É difícil imaginar como uma série assim pode crescer e ir além de uma temporada, mas a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood parece discordar e ver qualidades para colocá-la entre as melhores do ano. 

11) LIGAÇÕES PERIGOSAS

Coerência é fundamental para qualquer boa história, mas "Ligações Perigosas" decidiu passar longe dela. Escrita por Manuela Dias, inspirada no clássico de Choderlos de Laclos, a série trouxe uma produção caprichada e ótimos atores, mas foi prejudicada pela forma como foi contada. Uma história sensual como essa não poderia nunca ter sido retratada com o recato visto, mesmo sendo uma trama de época. A tensão sexual, que permeava todas as relações entre os personagens, foi sublimada e perdeu a força que a história precisava. No fim, acabou soando incoerente e, mesmo com boas qualidades, não atingiu o resultado que poderia e terminou enfraquecida pela ausência do principal elemento pedido pelo enredo: a sensualidade. Pela incoerência, acabou por aqui.