terça-feira, 22 de maio de 2018

Trama confusa e personagens mal explorados atrapalham conclusão de "Once Upon a Time"

Divulgação/ABC
Todo conto de fadas tem a hora certa para o fim, quando os personagens passam a viver "felizes para sempre". No mundo das séries, no entanto, ignorando a coerências das histórias, emissoras e produtores podem ignorar o momento de dizer adeus e prolongar a trama, mesmo com tantos fatores que apontem o contrário. "Once Upon a Time", que teve a oportunidade de terminar na sexta temporada, com a saída da protagonista e de parte do elenco, foi renovada por mais um ano e, desde então, apresentou um enredo confuso e personagens mal aproveitados, o que enfraqueceu a conclusão da atração, que foi ao ar na última sexta-feira (18), nos Estados Unidos.
Na sétima e equivocada temporada, "Once Upon a Time" apresentou uma nova maldição, que levou os personagens das histórias infantis para um bairro de Seattle. O plano foi arquitetado por Goethel (Emma Booth), uma protetora da natureza que caiu em uma armadilha de humanos e, com intenção de se vingar, acabou se transformando em uma feiticeira. Com a maldição, ela pretendei voltar a seu lugar de origem e trazer de volta o Clã das Bruxas, que iria ajudá-la a atingir os objetivos.
Com a ajuda de Lucy (Alison Fernandez) e depois do beijo de amor verdadeiro de Henry (Andrew J. West), a maldição é quebrada e a memória de todos é restaurada, trazendo de volta todas as lembranças das vidas deles no reino das histórias. Nos episódios finais, uma outra ameaça se apresenta: uma versão de Rumplestiltskin (Robert Carlyle), vinda do reino dos desejos, aparece para impedir que o ex-vilão original se livre dos poderes da adaga que concentra a força do Senhor das Trevas.
Diante da missão final, Regina (Lana Parrilla), Gancho (Colin O´Donoghue), Henry e Rumple vão ao reino dos desejos para impedir o plano do vilão e salvar Lucy e Cinderela (Dania Ramirez), que foram feitas reféns dele. A operação de resgate ainda conta com Alice (Rose Reynolds) e Robin (Tiera Skovbye), que voltam a Storybrooke para pedir a ajuda de Zelena (Rebecca Mader), Branca de Neve (Ginnifer Godwin) e Encantado (Josh Dallas).
Divulgação/ABC
Repetindo a fórmula da primeira temporada, para marcar o que seria um recomeço para a série, "Once Upon a Time" apresentou um sétimo ano bastante desregular. Algumas ideias de conflitos e histórias até eram boas, mas foram mal desenvolvidas e não empolgaram como antes. Por vezes, o roteiro parecia não saber para onde ir, se perdendo em explicações sobre a nova maldição ou justificando o envolvimento de alguns personagens nela.
A confusão dos acontecimentos fez com que personagens com bom potencial fossem pouco aproveitados. Os vilões Goethel e Facilier (Daniel Francis), mesmo envolvidos em alguns momentos decisivos da trama, pouco contribuíram e poderiam ter ajudado a movimentar mais o enredo. A inclusão de versões dos personagens, vindos do reino dos desejos, poderia ter sido uma premissa melhor explorada, mas até serviu ao propósito de homenagear a trajetória da série.
Apesar dos tropeços, os episódios finais da série, que incluem o fim da maldição e a missão decisiva dos personagens contra Rumplestiltskin, foram os que melhor funcionaram. Mesmo não tão empolgante, a conclusão da história acerta ao resgatar personagens que marcaram outras temporadas, ainda que alguns tenham cenas desnecessárias. As sequências finais e a rápida volta de Emma (Jennifer Morrison), que deixou a atração na temporada passada, não são tão impactantes, mas funcionam.
"Once Upon a Time" perdeu o timing do "felizes para sempre" na sexta temporada e decidiu continuar por mais um ano. Aos trancos e barrancos, a partir de uma trama confusa e mal explicada, com personagens pouco aproveitados, a série chegou aos episódios finais com mais ânimo e, ainda que não tenha conseguido despertar a mesma atenção, apresentou desfechos que funcionaram. O adiado "final feliz" dos personagens veio, mesmo não sendo o ideal. Antes tarde do que nunca.

ONCE UPON A TIME (sétima e última temporada)

COTAÇÃO: ★★ (regular)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

"Grey´s Anatomy" supera excessos e entrega melhor temporada dos últimos anos

Com a recente renovação para a 15ª temporada, que vai estrear a partir de setembro nos Estados Unidos, "Grey´s Anatomy" já entrou para o ranking das séries mais longevas da televisão. Por estar no ar há tanto tempo, a atração passou por diversos problemas criativos, alguns, inclusive, que alteraram o rumo da trama. Baixas no elenco, repetições de recursos narrativos e mau aproveitamento de personagens já marcaram, de alguma forma, a série médica, que, nos últimos anos, vem mostrando novo fôlego. No fim da 14ª temporada, ficou claro que a produção resgatou a relevância e entregou bons episódios ao espectador, os melhores dos últimos anos.
No último episódio, exibido na última quinta-feira (17), nos Estados Unidos, a maioria dos médicos do Grey Sloan Memorial Hospital saem das salas de cirurgia para celebrar o casamento de Alex (Justin Chambers) e Jo Wilson (Camilla Luddington). Planejada por April (Sarah Drew), a cerimônia, no entanto, não sai como planejado, a começar pelos noivos, que quebram a tradição de não se verem antes do casamento e fogem para a "lua de mel" antes da celebração. Além disso, os convidados chegam atrasados por conta de um erro no endereço do casamento.
Como não poderia deixar de ser, as emergências médicas também interferem no casamento. A chefe Bailey (Chandra Wilson), depois de perceber que estava na cerimônia de casamento errada, volta ao hospital para operar a mãe de uma noiva, que, por pouco, não vê a união da filha. A organizadora da celebração dos médicos do Grey Sloan também passa mal, o que faz com que os profissionais se mobilizem para salvá-la.
O final da 14ª temporada também marcou a despedida de duas personagens do elenco regular. Depois de um ano de confusão interna e de um acidente, que quase acabou com a vida dela, April pede demissão do hospital para se dedicar a um projeto de assistência médica a pessoas carentes. De surpresa, aproveitando a estrutura da cerimônia para Alex e Jo, ela se casa com Matthew (Justin Bruening). Outra que se despediu é Arizona (Jessica Capshaw), que decidiu ir embora para que a filha fique perto da outra mãe Callie (Sara Ramirez), que saiu da trama algumas temporadas antes.
Por estar no ar há tanto tempo, "Grey´s Anatomy", em determinado momento, se deixou levar por repetições de recursos narrativos para movimentar a trama. Tragédias e os dramas amorosos foram repetidos à exaustão ao longo dos anos e, em alguns momentos, pareceram apenas falta de criatividade. Essas saídas do roteiro continuam presentes, mas, agora, há um amadurecimento das construções das histórias e personagens, o que tornou o uso desses recursos mais parcimonioso e coerente.
A série médica de Shonda Rhimes acertou, também, em voltar a apostar no desenvolvimento de Meredith (Ellen Pompeo), que, mesmo sendo a protagonista, andou meio deixada de lado em algumas temporadas. Agora, os problemas, incertezas e a carreira da personagem voltaram ao centro da cena e renderam, nos últimos episódios, bons momentos. Além disso, coadjuvantes não foram deixados de lado e ganharam novos conflitos. Bailey, Jo, Jackson (Jesse Williams) e Maggie (Kelly McCreary) tiveram histórias interessantes na temporada.
Outro trunfo foi a exploração de alguns temas atuais, inseridos nos conflitos da série. Um ataque cibernético, por exemplo, deixou o hospital sem os recursos tecnológicos necessários para atender aos pacientes, o que fez com que os médicos voltassem a utilizar métodos mais arcaicos. Também houve um episódio que discutiu a questão dos "dreamers", filhos de imigrantes que nasceram nos Estados Unidos, e uma trama que envolveu a descoberta de escândalos de abuso sexual envolvendo a fundação Harper Avery, administradora do hospital.
Rumo ao 15º ano, "Grey´s Anatomy" mostra que aprendeu com os excessos do passado, causados por problemas criativos, e que está disposta a apostar mais no amadurecimento da narrativa. Com personagens mais bem explorados e uma boa variedade de tramas, a série apresentou a melhor temporada dos últimos anos e, se for verdade que está chegando perto do fim, como já disse Ellen Pompeo, a atração dá sinais de que vai terminar por cima.

GREY´S ANATOMY (décima quarta temporada)

COTAÇÃO: ★★★★ (ótima)

terça-feira, 15 de maio de 2018

A volta das que quase foram: seis séries que estiveram perto do cancelamento


As notícias sobre as renovações e cancelamentos das séries continuam surgindo e já revelaram, inclusive, quais foram as produções que, por muito pouco, não foram canceladas. Ameaçadas por desgastes nas tramas ou problemas de audiência, algumas atrações acabaram ganhando, pelo menos, mais uma temporada de episódios para o próximo período de estreias da TV, conhecido nos Estados Unidos como Fall Season.
As incertezas deste ano envolveram séries populares da televisão, sendo que uma delas já está no ar há 14 anos. Outra dúvida esteve relacionada a uma troca de protagonista, que quase fez com que a atração fosse cancelada por conta da dificuldade de encontrar um substituto para o posto. Vamos aos nomes:

SÉRIES QUE QUASE FORAM CANCELADAS

- Gotham

Mesmo ainda gerando alguma repercussão, apesar da audiência em queda livre, a série baseada nos personagens das histórias de "Batman", da DC Comics, por muito pouco não foi cancelada. Depois de um período de indefinição sobre o futuro da atração, a Fox decidiu que "Gotham" vai ganhar uma quinta temporada, que também será a última. Mostrando a infância de Bruce Wayne e os primeiros anos de James Gordon na polícia, a série deve se dedicar, nos últimos episódios, a mostrar a transformação do jovem milionário no Homem-Morcego. Por aqui, "Gotham" já foi vista na Globo e segue em exibição pela Warner e no serviço de streaming Netflix.

- The Blacklist

Mesmo tendo uma audiência considerada mediana, "The Blacklist" também estava ameaçada antes do anúncio da renovação para a sexta temporada. O canal NBC, que é coprodutor da série, tinha interesse em acabar com todos os acordos do gênero para investir em conteúdo próprio, o que deixou a atração como dúvida para a Fall Season deste ano. No fim, o criminoso vivido por James Spader garantiu novos episódios e, agora, dura até 2019, pelo menos. A história de Raymond Reddington, que colabora com o FBI com os nomes de uma lista negra do crime, também deve ganhar uma nova reviravolta para o próximo ano. No Brasil, "The Blacklist" já foi exibida pela Globo e segue no ar no canal AXN e no Netflix.

- Máquina Mortífera

Adaptada a partir da franquia cinematográfica, "Máquina Mortífera" enfrentou um dos principais problemas desse período. O protagonista Clayne Crawford foi demitido após acusações de mau comportamento e criação de um ambiente de trabalho hostil. O parceiro de cena dele, Damon Wayans, inclusive, teria rompido relações com o colega por conta de desentendimentos nos bastidores. Após a demissão do ator, os produtores tiveram dificuldade em encontrar um substituto e, por conta disso, cogitaram cancelar a atração. A notícia da renovação para a terceira temporada veio nos últimos dias, acompanhada do nome que entra para o lugar de Crawford: Sean William Scott, da franquia de filmes "American Pie". "Máquina Mortífera" já foi ao ar pela Globo e segue em exibição no canal Warner.

- Criminal Minds

Quando o canal CBS começou a divulgar as primeiras renovações, os fãs de "Criminal Minds" estranharam que a série ficou de fora naquele momento. Agora, a série policial, que foca em uma unidade que analisa o comportamento dos criminosos, vai ganhar uma nova temporada, a décima quarta. Os detalhes sobre o próximo ano da atração ainda vão ser divulgados pela emissora, mas já se cogita uma quantidade reduzida de episódios para o próximo ano da série, além da possibilidade de a trama ser encerrada depois disso. "Criminal Minds" pode ser vista no Netflix e no canal AXN.

- Agents of S.H.I.E.L.D.

A atual quinta temporada da série da Marvel viu a audiência despencar e ficar entre as piores do canal norte-americano ABC. Por conta disso, a renovação de "Agents of S.H.I.E.L.D." para a sexta temporada demorou mais para ser confirmada e, por muito pouco, quase não veio. O sucesso internacional da atração foi um dos fatores que contribuiu para impedir que ela engrossasse a lista das canceladas. Há, no entanto, mudanças à vista: o sexto ano será mais curto, com apenas 13 episódios.

- Blindspot

Depois de uma primeira temporada que gerou boa repercussão, "Blindspot" foi perdendo força, o que culminou, inclusive, em uma mudança no dia de exibição da série nos Estados Unidos. Colocada na grade das sextas-feiras do canal NBC, dia considerado fraco em termos de audiência, a série sobre uma mulher encontrada cheia de tatuagens misteriosas acabou garantindo uma quarta temporada, especialmente por conta do mercado internacional, que aceita bem a série. Exibida pelo Warner e Netflix, "Blindspot" vai estrear, nesta terça-feira (15), na Globo.

domingo, 13 de maio de 2018

Sete séries oficialmente canceladas e uma renascida das cinzas


O período em que as emissoras norte-americanas divulgam quais séries vão continuar ou não nas grades de programação tem deixado alguns fãs decepcionados por conta das produções que não vão ganhar novas temporadas ainda este ano ou em 2019. Entre as notícias de cancelamentos, algumas chegaram a pegar o público de surpresa, com espectadores que foram às redes sociais para protestar contra os fins das atrações.
Por enquanto, no caso de um dos protestos, a choradeira dos fãs teve efeito. Uma das séries que, há alguns dias, tinha sido cancelada por uma emissora foi rapidamente resgatada diante dos apelos favoráveis e vai ganhar uma nova temporada em outro canal. Vamos aos principais cancelamentos e ao renascimento aguardado:

SETE SÉRIES CANCELADAS

- Lucifer

Depois de três temporadas e uma legião de fãs considerável, "Lucifer" não escapou e teve o fim anunciado pela Fox. Com isso, a história do Senhor do Inferno, que decide ir a Los Angeles e passa a colaborar com a polícia local, não terá uma conclusão, o que, segundo o criador da série, Joe Henderson, deve deixar os fãs irritados. Bom, isso eles já estão! O cancelamento de "Lucifer" foi o mais lamentado nas redes sociais, com os espectadores, inclusive, pedindo que a série seja resgatada por outro canal, o que, por enquanto, ainda não aconteceu. Talvez, nem o Diabo tenha força contra a decisão do canal. Aqui no Brasil, a agora última temporada só estreia na quarta-feira (16), no Universal Channel.

- Designated Survivor

A última aposta do ator Kiefer Sutherland na televisão não durou tanto quanto o sucesso de "24 Horas". Depois de uma primeira temporada pouco empolgante e desregular, "Designated Survivor" não vai passar do atual segundo ano, que está terminando nos Estados Unidos. A trama do secretário de Habitação dos Estados Unidos, alçado ao posto de presidente depois de uma explosão que mata os integrantes do governo, nunca emplacou como um grande sucesso e, por isso, as lamentações na internet foram menos fervorosas. Exibida pela rede norte-americana ABC, "Designated Survivor" chega ao público brasileiro pelo serviço de streaming Netflix.

- Inumanos

Esse cancelamento não era necessariamente uma surpresa, mas a notícia oficial só veio nos últimos dias. "Inumanos", série de personagens da Marvel, está oficialmente encerrada após a única temporada exibida. O fim, inclusive, já tinha sido antecipado pelo canal ABC, que não ficou contente com a audiência mediana e a enxurrada de críticas sobre a trama. Explorando uma premissa iniciada em "Agents of S.H.I.E.L.D.", a produção sobre uma civilização de seres com poderes e avançada tecnologia fora da Terra teve uma abordagem boba e que não empolgou nem mesmo no primeiro episódio. O canal Sony exibiu a série aqui no Brasil.

- Quantico

Fraca e cheias de clichês, "Quantico" durou surpreendentes três temporadas antes de ter o cancelamento anunciado pela rede ABC. A série, que transformou a escolas de treinamento para agentes do FBI em um dia de aula dos piores tempos de "Malhação", nunca foi sucesso e, por sinal, teve um primeiro episódio digno de pena. A trama começava com novos recrutas chegando à agência e criava suspense sobre um ataque terrorista em Nova York, que estaria ligado aos personagens. O andamento óbvio e bobo da série fez com que o público fosse perdendo o interesse pela narrativa, o que culminou em uma repercussão praticamente nula sobre a história. O canal AXN exibiu "Quantico" para os brasileiros.

- O Exorcista

A Fox fez outra vítima dos cancelamentos e anunciou o fim da série de terror "O Exorcista", que propunha uma renovação do clássico dos cinemas. A produção durou duas temporadas, mas nunca foi um sucesso de audiência, o que também se refletiu na repercussão da série, praticamente inexistente. A história acompanhava a trajetória de dois padres, que ajudavam famílias vítimas de espíritos possessivos, e contou com a presença ilustre da atriz Geena Davis, o que não foi suficiente para ajudar a alavancar a produção. O FX Brasil exibiu "O Exorcista" por aqui.

- The Brave

Surgida em meio à onde de séries militares, que começaram a brotar no ano passado, "The Brave" não resistiu aos ferimentos da guerra pela audiência e é mais uma baixa. A série começou bastante promissora, cheia de ação e reviravoltas, mas foi perdendo força ao longo das semanas e, ao fim dos 13 episódios da primeira temporada, preservou um público bem menor. Na trama, uma equipe militar é mandada para os principais conflitos em zonas de guerra e enfrenta diversas ameaças terroristas. "The Brave" sequer teve tempo de chegar ao público brasileiro antes de ter o fim anunciado.

- Transparent

Diferente das anteriores, a série, que já chegou a vencer o Globo de Ouro de melhor comédia, vai ter uma despedida. "Transparent" vai ganhar uma quinta temporada, mas, o que parece uma renovação, na verdade, é um cancelamento, já que os produtores anunciaram que a produção não terá continuidade depois disso. O futuro da produção já era considerado incerto e conturbado, já que o protagonista, Jeffrey Tambor, foi demitido após acusações de assédio e abuso sexual. Além de ser o último, o quinto ano da série da Amazon também será o primeiro sem o personagem central, um homem que revela aos filhos que quer viver como uma mulher.

UMA SÉRIE RENASCIDA DAS CINZAS

- Brooklyn Nine-Nine

Os fãs reagiram raivosos à notícia de que a comédia "Brooklyn Nine-Nine" tinha sido cancelada pelo canal Fox. Rapidamente, o público que acompanha a série foi às redes sociais e deixou a produção entre os assuntos mais comentados. A choradeira, ao que parece, surtiu efeito: a atração vai ganhar uma sexta temporada, só que em um canal diferente. A trama sobre a rotina de policiais de Nova York foi comprada pela NBC, conforme anúncio da própria emissora. "Brooklyn Nine-Nine" ganhou o Globo de Ouro na primeira temporada, mas foi perdendo destaque nos anos seguintes até o barulho dos fãs sobre o cancelamento. Por aqui, a série foi exibida pelo canal TBS e está disponível no catálogo do Netflix.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

"Cobra Kai" se escora na nostalgia e erra ao não trazer nada de novo ao universo de Karatê Kid

O apelo nostálgico é o principal estímulo para o resgate de uma obra, seja ela no cinema ou na televisão, que marcou o público de alguma forma. Esse trunfo, chamemos assim, que pode garantir, inicialmente, o interesse do espectador que gosta do original, não é suficiente se vier sem um planejamento sólido de roteiro, que respeite os aspectos do passado e, ao mesmo tempo, traga novos elementos ao universo em questão.
Trazendo de volta clássicos personagens dos anos 80, que participaram na infância de muita gente, a série "Cobra Kai" estreou com a proposta de dar nova vida ao universo da popular franquia de "Karatê Kid", 34 anos depois do filme original ter estreado nos cinemas. Deixando-se levar pela sensação de "jogo ganho", a produção já mostrou, nos dois primeiros episódios exibidos, que a grande aposta na nostalgia deixou pouco espaço para as novidades.
Depois do fatídico torneio que consagrou Daniel LaRusso (Ralph Macchio) como campeão, vitória essa alcançada com os ensinamentos do sensei Kesuke Miyagi (Pat Morita), muita coisa mudou em mais de três décadas de vida. Ele se tornou o dono de uma renomada concessionária da Califórnia, que também presta serviços de mecânica, e é conhecido pelas vitórias no karatê, utilizadas como marketing para o negócio dele.
O foco de "Cobra Kai", no entanto, não está na bem sucedida vida de LaRusso, mas no que aconteceu com o adversário dele, derrotado naquele torneio. Johnny Lawrence (William Zabka) trabalha como faz-tudo e não está em uma maré de muita sorte. Com um temperamento explosivo, ele passa os dias bebendo e tentando evitar os muitos problemas com o padrasto, a ex-mulher e o filho adolescente. Uma batida no carro dele faz com que Lawrence e o antigo rival voltem a se encontrar, expondo o abismo que os separa.
Antes um valentão, que chegou a torturar LaRusso na adolescência, Lawrence, agora, conhece o jovem Miguel (Xolo Maridueña), que é alvo de um grupo de colegas da escola. Durante uma confusão, Lawrence salva o garoto, que passa a querer aprender karatê. O contato com o rival faz com que o ex-aluno do dojo Cobra Kai tenha a ideia de reabrir a antiga escola como um plano de recomeço de vida.
Quando uma obra já começa amparada por uma base sólida, como é o caso de "Cobra Kai", que se propõe a continuar a saga "Karatê Kid", é preciso que algo novo seja inserido ao universo. Como não é um remake, a série peca justamente nisso. O elemento nostálgico é muito forte na produção, sempre remetendo a lugares, personagens e falas clássicas da franquia de filmes. A maior parte das referências é usada com humor e algumas delas até funcionam, porém, o que predomina é a sensação de cópia ou repetição de fórmula.
Com muito espaço para a nostalgia, houve pouco espaço para a apresentação de novos elementos que possam sustentar a proposta, o que explica o sentimento de que "Cobra Kai" está querendo apenas copiar o sucesso antigo. O roteiro dos primeiros episódios é apressado e óbvio, repetindo ganchos e narrativas do original sem trazer qualquer frescor para o enredo, que até soa datado em alguns momentos, mesmo diante de recursos tecnológicos.
Parte dos problemas da série é causada pelo mau desenvolvimento dos personagens, apresentados superficialmente em meio aos acontecimentos apressados do início. Apesar de ter a intenção de retomar a história sob o ponto de vista do lutador derrotado, "Cobra Kai" não constrói empatia pelo personagem central, que não tem os conflitos aprofundados. Fica difícil para o espectador se conectar com os dramas de Lawrence se essas camadas de personalidade não ajudam a dar sustentação para a nova proposta. Esse desenvolvimento poderia ser o elemento que daria novo fôlego ao universo, mas isso ainda é mal explorado.
"Cobra Kai" tenta usar detalhes para contextualizar a história em um mundo que avançou mais de três décadas desde o original "Karatê Kid". Para isso, a série insere discussões mais atuais, como a presença maior de imigrantes nos Estados Unidos e a criação dos jovens em um ambiente mais tecnológico, mas esses meros detalhes não são suficientes para atualizar o enredo.
Apesar de não ser suficiente para gerar um interesse maior sobre a proposta, a confiança na nostalgia não provoca apenas um efeito ruim, já que os bons momentos da estreia da série ficam por conta justamente disso. É inegável que a maioria das referências funciona e pode aquecer o coração dos saudosistas, que também poderão ver uma forma de filmar que remete à época e uma boa trilha sonora.
Exibido pelo Youtube Red, braço do famoso site de vídeos para conteúdos originais, "Cobra Kai" apresenta primeiros episódios frágeis, que se escoram apenas em nostalgia e deixam de lado a criação de elementos que possam dar novo fôlego ao universo. Narrativa apressada e conflitos superficiais dos personagens ajudam a enfraquecer a produção, que poderia ser diferente se, junto com o apelo nostálgico, houvesse uma proposta coerente de novidade.

COBRA KAI (primeira temporada)

ONDE: Youtube Red

COTAÇÃO: ★★ (regular)

terça-feira, 24 de abril de 2018

"Onde Nascem os Fortes" estabelece conflitos e impressiona com estética cinematográfica

Divulgação/TV Globo
Um sertão árido, moderno, provocante e contraditório promete ser palco e um dos personagens dos conflitos que começaram a ser estabelecidos no primeiro episódio de "Onde Nascem os Fortes", produto que, depois de ser chamado de "novela das 23h", passou a ser conhecido como supersérie. Apostando no embate entre as figuras centrais, a trama, logo de cara, impressionou pela estética cinematográfica, que só valoriza mais o cenário.
Escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, os mesmos de "Amores Roubados" e "O Rebu", a nova supersérie aposta em elementos clássicos da dramaturgia como romance, rivalidade e poder. Os primeiros em cena são Maria (Alice Wegmann) e Nonato (Marcos Pigossi), irmãos gêmeos que viajam para a cidade de Sertão, o que gera preocupações para a mãe, Cássia (Patrícia Pillar), que nasceu no local e parece ser marcada por algo que aconteceu ali no passado.
Durante um passeio de bicicleta, Maria conhece Hermano (Gabriel Leone), um jovem interessado por paleontologia e pelo passado daquela região. Os dois combinam de se encontrar, naquele mesmo dia, em um show da Shakira do Sertão (Jesuíta Barbosa), um travesti que faz sucesso entre os moradores e turistas. A jovem convence o irmão a ir junto, sem imaginar que Nonato se envolveria em uma briga com Pedro Gouveia (Alexandre Nero), um dos homens mais poderosos do local.
Empresário de sucesso, Gouveia é considerado uma das figuras mais influentes de Sertão, mas vive problemas no casamento com Rosinete (Debora Bloch) e ainda lida com a doença grave da filha. O conflito com Nonato se dá quando o jovem decide desafiar aquela figura de poder e demonstrar interesse por Joana (Maeve Jinkings), a amante do empresário.
Divulgação/TV Globo
Ainda é cedo para falar sobre a qualidade da trama de "Onde Nascem os Fortes", mas, julgando o primeiro episódio, a dupla de autores parece criar uma narrativa bem estruturada, que explora elementos clássicos e, ao mesmo tempo, propõe um desenvolvimento mais aprofundado dos personagens. A apresentação das figuras centrais da trama, aliás, dominou o início da história e, mesmo feita de forma até bem tradicional, revelou as informações necessárias para a formação do enredo e deixou pontas soltas para serem desvendadas ao longo da supersérie.
A ambientação da história foi um dos grandes êxitos da estreia. Sabiamente, os autores criaram, como pano de fundo, um universo de contradições gerado por um cenário instigante, inóspito e deslumbrante. A cidade de Sertão traz elementos de modernidade, como carros luxuosos e objetos tecnológicos, mas, paralelo a isso, também foca na tradicional influência do poder econômico nessas regiões, especialmente na figura do empresário Pedro Gouveia, um "coronel moderno". Com pouco espaço no primeiro episódio, o juiz Ramiro (Fábio Assunção), outra representação de poder naquele lugar.
A direção cinematográfica da supersérie é outro destaque positivo. Comandada por José Luiz Villamarim, a equipe de diretores, que ainda conta com o renomado cineasta Walter Carvalho, levou ao público cenas com um tratamento especial. Com paisagens que serviram como molduras, as belas imagens da câmera em movimento de Villamarim impressionaram e, mais uma vez, elevam o padrão de qualidade da TV, muito habituada aos enquadramentos tradicionais dos folhetins. A bonita fotografia ajuda a valorizar o sertão, trazendo uma luz estourada que remete ao calor e ao clima seco da região.
"Onde Nascem os Fortes" ainda tem um longo caminho a percorrer, mas já trouxe elementos interessantes no primeiro episódio, que sinalizam, inclusive, mais um trabalho de qualidade da dupla de autores, talvez os mais ousados dos últimos anos na televisão brasileira. Com os conflitos já estabelecidos e uma bela estética cinematográfica, a supersérie tem potencial para fidelizar o público, especialmente aqueles que buscam uma dramaturgia mais complexa e instigante.

ONDE NASCEM OS FORTES

ONDE: TV Globo

COTAÇÃO DA ESTREIA: ★★★★ (ótima)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

"Westworld" volta com promessa de ampliar universo e criar novos enigmas


"Prazeres violentos têm finais violentos". A frase explica bem a apresentação da segunda temporada de "Westworld", série de ficção científica da HBO que, depois de quase um ano e meio, voltou ao ar neste domingo (22). Depois de um primeiro ano que serviu para contextualizar a trama e estabelecer os conflitos entre os personagens, a produção parece disposta, nessa nova leva de episódios, a ampliar os atritos entre os humanos e as inteligências artificiais, criando, inclusive, novos enigmas para o espectador.
Baseada na obra literária de Michael Crichton e em um filme homônimo, bem fraco, inclusive, lançado em 1973, a série mostrou, no primeiro ano, um parque temático criado para satisfazer os desejos mais profundos das pessoas, com promessas, inclusive, de proporcionar experiências únicas. No principal cenário do parque, os hóspedes, que pagam fortunas para estar ali, são incluídos em narrativas de western que, geralmente, envolvem crimes violentos e íntimas vontades sexuais, cujos principais alvos são as inteligências artificiais colocadas no parque como anfitriões.
Depois das revelações, que vieram à tona no fim da primeira temporada, sobre as intenções de Robert Ford (Anthony Hopkins), um dos idealizadores do parque, e da evolução das inteligências artificiais, que passam a ganhar "consciência" sobre suas condições, a estreia do segundo ano introduz a promessa da expansão do universo até aqui apresentado. 
Após uma revolta das "máquinas", executivos da empresa que controla o parque se tornam reféns dos anfitriões. Um grupo deles, liderado por Dolores (Evan Rachel Wood), antes a doce filha de um fazendeiro, persegue essas pessoas e promove uma matança pelo deserto. Da boca dela, surge o entendimento da frase que abriu o texto: aos humanos, que tanto exploraram as opções para satisfazerem seus prazeres violentos, o destino é um fim igualmente violento.
Com uma narrativa mostrada em dois tempos, a série também promete momentos mais intensos para Bernard (Jeffrey Wright), que teve alguns segredos surpreendentes revelados no primeiro ano. Agora, a história mostra o cientista tentando escapar da revolta no parque e, paralelo a isso, também instiga o público a imaginar quais foram os acontecimentos que levaram o personagem a ser encontrado desacordado, no futuro, em uma praia e como ele esteve envolvido na ação dos anfitriões.
A trajetória pessoal de Maeve (Thandie Newton) também ganha novos contornos. Depois de adquirir consciência sobre as outras narrativa em que esteve envolvida e ter a oportunidade de sair do parque, a inteligência agora não tão artificial decide procurar a menina que, no acesso às memórias de uma outra história, agia como filha dela, Para isso, ela conta com o apoio de Hector (Rodrigo Santoro) e de Lee (Simon Quarterman), o criador de algumas das narrativas do parque.
Desde o primeiro episódio com uma trama complexa, "Westworld" tem no roteiro instigante o principal atrativo. Sem subestimar a inteligência do espectador, a série continua, na estreia da segunda temporada, impressionando pela capacidade em criar reviravoltas e, também, manter a coerência com a proposta de criar ficção científica de boa qualidade. Sem explicações desnecessárias e detalhes divulgados a conta-gotas, a narrativa ganha um ritmo interessante e se renova com frequência, características que, espero, estejam preservadas nesse segundo ano que começa agora.
Com uma produção caprichada e realista, a série também volta com a promessa de explorar universos que vão além do já explorado Velho Oeste e cujas geografias podem interferir na história. Além disso, os conflitos de alguns personagens, como Dolores, Bernard e o Homem de Preto (Ed Harris), lidando com novas descobertas e evoluções de personalidades, devem movimentar os episódios futuros.
Promissora, "Westworld", mesmo com a demora para voltar ao ar, começa a segunda temporada sinalizando a intenção de ampliar o universo da série, trazendo novas reviravoltas e criando instigantes enigmas para os episódios que estão por vir. Caso seja necessário, vale rever o primeiro ano para relembrar alguns detalhes que podem ter se perdido na memória. Pela qualidade do produto, não será nenhum sacrifício.

WESTWORLD (segunda temporada)

ONDE: HBO (todos os domingos, às 22 horas)

COTAÇÃO: ★★★★ (ótima)